É meu povo... Depois de dois anos de afastamento por motivos de força maior (Curso de Gestão da Qualidade), estou retornando a minha segunda casa, o Coral Procergs.
Chega um momento na vida em que sentimos falta de algo que nos complete. E o que me completa é cantar!
Notei que eu andava muito nervoso, estressado, sem paciência... E a técnica vocal, a música me ajuda muitíssimo. É o meu tratamento contra o mau-humor.
Tem gente que joga futebol, que faz academia... ou seja, encontra refúgio em outras atividades. Eu canto! Nada melhor do que rever as pessoas, jogar conversa fora, falar do cotidiano e principalmente da cena musical.
Revi muitos amigos no ensaio e senti muita falta de alguns que já não estão mais conosco.
Estou muito feliz.
Agora é correr atrás do repertório!
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
sábado, 12 de setembro de 2009
LEANDRO BRAGA & DONA IVONE LARA

No dia 12 de fevereiro de 2004, no auge do verão, um calorão infernal fomos assistir (Meu amigo Leonardo Assis Nunes e eu) ao show de Leandro Braga & Dona Ivone Lara no Salão de Atos da UFRGS (Nesta foto, na primeira fila, lá estamos eu e o Léo).Era o projeto Unimúsica 2004 - Série piano e voz
Foi um belo show!
Abaixo o texto escrito pelo genial Zuza Homem de Mello:
por Zuza Homem de Mello
A ligação entre a compositora e cantora Dona Ivone Lara (1922 - ) e o pianista e arranjador Leandro Braga (1942 - ) se consolidou em 2002 com a gravação do CD A música de Dona Ivone Lara, que mostrou a exuberância de suas composições, algumas delas sobejamente conhecidas no mundo do samba, outras nem tanto, mas cada qual oferecendo um campo para as fascinantes explorações que Leandro teve a seu dispor.
Assim armado, Leandro “deitou e rolou”, ao exercer sua criatividade com a delicadeza e a competência que já se conhecia, atingindo com esse soberbo disco sobre a obra da compositora o que pode ser visto como um casamento olímpico, destinado a alcançar bodas de pedras preciosas e metais nobres à medida que passem os anos. Esse enlace de primeira grandeza na música brasileira é o programa desta noite no Projeto Unimúsica – série piano e voz da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A facilidade com que a internacional Dona Ivone Lara cria melodias pôde ser medida desde o início do partido alto Tié Tié, uma das primeiras que compôs, antes de se tornar componente da ala da Escola Império Serrano, depois de pertencer à extinta Prazer da Serrinha. Nos anos 70 é que suas composições começaram a despontar, atingindo popularidade nacional em 1978 com a gravação de Sonho meu (por Maria Bethânia e Gal Costa) em parceira com Delcio Carvalho, ainda que no ano anterior a dupla já tivesse alcançado sucesso com Liberdade. Daí em diante foi um verdadeiro desfile de sambas com sua marca de melodias de primeira grandeza, Alguém me avisou, Acreditar, Nasci para cantar e sonhar, Mas quem disse que eu te esqueço e outros mais. Dona Ivone tornou-se uma dama, uma majestosa dama do samba, uma querida senhora que sabe guiar a música pelos mais lindos caminhos.
O paulista de São José dos Campos Leandro Braga, um dos mais requisitados e bem vistos arranjadores brasileiros, se consagrou de vez como pianista no seu segundo disco próprio, Pé na cozinha, de 1998, ganhando o prêmio Sharp do ano. Participou com sucesso do Free Jazz Festival no ano seguinte e prosseguiu numa trajetória repleta de triunfos em todas as incursões: escreveu trilhas para cinema e arranjos para peças musicais e inúmeros discos, foi diretor muscial de Ney Matogrosso e prossegue numa das mais brilhantes carreiras nessa área em que poucos são de fato reconhecidos. Quando deixa a caneta de lado, Leandro braga simplesmente estraçalha o piano; isto quer dizer em gíria musical arrebenta; e isto que dizer, ainda em gíria musical, deixa o ouvinte boquiaberto e sem fôlego.
Enquanto Dona Ivone Lara é formada em enfermagem (tendo exercido a profissão enquanto as atividades artísticas permitiam), Leandro é formado em medicina. Ambos teriam portanto uma vasta área de ação em comum fora da música. Mas é nela que ambos se encontram com o encantamento da arte, brindando a vocês com os sons que vão ouvir hoje.
Há música no ar.
por Zuza Homem de Mello
A ligação entre a compositora e cantora Dona Ivone Lara (1922 - ) e o pianista e arranjador Leandro Braga (1942 - ) se consolidou em 2002 com a gravação do CD A música de Dona Ivone Lara, que mostrou a exuberância de suas composições, algumas delas sobejamente conhecidas no mundo do samba, outras nem tanto, mas cada qual oferecendo um campo para as fascinantes explorações que Leandro teve a seu dispor.
Assim armado, Leandro “deitou e rolou”, ao exercer sua criatividade com a delicadeza e a competência que já se conhecia, atingindo com esse soberbo disco sobre a obra da compositora o que pode ser visto como um casamento olímpico, destinado a alcançar bodas de pedras preciosas e metais nobres à medida que passem os anos. Esse enlace de primeira grandeza na música brasileira é o programa desta noite no Projeto Unimúsica – série piano e voz da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A facilidade com que a internacional Dona Ivone Lara cria melodias pôde ser medida desde o início do partido alto Tié Tié, uma das primeiras que compôs, antes de se tornar componente da ala da Escola Império Serrano, depois de pertencer à extinta Prazer da Serrinha. Nos anos 70 é que suas composições começaram a despontar, atingindo popularidade nacional em 1978 com a gravação de Sonho meu (por Maria Bethânia e Gal Costa) em parceira com Delcio Carvalho, ainda que no ano anterior a dupla já tivesse alcançado sucesso com Liberdade. Daí em diante foi um verdadeiro desfile de sambas com sua marca de melodias de primeira grandeza, Alguém me avisou, Acreditar, Nasci para cantar e sonhar, Mas quem disse que eu te esqueço e outros mais. Dona Ivone tornou-se uma dama, uma majestosa dama do samba, uma querida senhora que sabe guiar a música pelos mais lindos caminhos.
O paulista de São José dos Campos Leandro Braga, um dos mais requisitados e bem vistos arranjadores brasileiros, se consagrou de vez como pianista no seu segundo disco próprio, Pé na cozinha, de 1998, ganhando o prêmio Sharp do ano. Participou com sucesso do Free Jazz Festival no ano seguinte e prosseguiu numa trajetória repleta de triunfos em todas as incursões: escreveu trilhas para cinema e arranjos para peças musicais e inúmeros discos, foi diretor muscial de Ney Matogrosso e prossegue numa das mais brilhantes carreiras nessa área em que poucos são de fato reconhecidos. Quando deixa a caneta de lado, Leandro braga simplesmente estraçalha o piano; isto quer dizer em gíria musical arrebenta; e isto que dizer, ainda em gíria musical, deixa o ouvinte boquiaberto e sem fôlego.
Enquanto Dona Ivone Lara é formada em enfermagem (tendo exercido a profissão enquanto as atividades artísticas permitiam), Leandro é formado em medicina. Ambos teriam portanto uma vasta área de ação em comum fora da música. Mas é nela que ambos se encontram com o encantamento da arte, brindando a vocês com os sons que vão ouvir hoje.
Há música no ar.
OS CAINGANGUES
Vindo de Frederico Westphalen, paramos em Palmeira das Missões para fazer uma troca de ônibus. Uma “baldiação”. Prática muito comum em cidades do interior e até mesmo na zona rural de Porto Alegre. Todo esse processo duraria trinta minutos. Tempo necessário para ir ao banheiro e fazer um lanche. Sai do velho ônibus, quase caindo aos pedaços e fui procurar o toillete na rodoviária de Palmeira. Olhei para um lado, olhei para o outro e me transportei para o velho oeste. Sábado pela manhã, e a cidade vazia. Parecia uma cidade fantasma. Veio em minha mente a canção “The good, the bad, the ugly”. Isso mesmo! Aquela canção famosa que lembra o faroeste. Fui até a única lanchonete da rodoviária e comprei algo para comer. Peguei alguma coisa para levar, pois a viagem até Porto Alegre seria bem longa. Sentei num antigo banco de madeira que lembrava os assentos de um trem e comi um sanduíche. Havia uma caixa de som rouca que transmitia um evento (acho que era uma missa). Aquilo soava baixinho, mas ao mesmo tempo atordoante. Na rodoviária, havia no máximo umas dez pessoas (todas esperando o mesmo ônibus pinga-pinga para a capital). Surge então um vendedor de chapéus. Peças realmente bonitas feitas de palha seca e outras de vime. O rapaz me ofereceu. Recusei. Não uso nem boné, o que dizer de chapéu. Então apareceu uma menininha. Uma indiazinha de mais ou menos quatro anos. Uma belezinha. Lembrei da Carol. Minha filha que sofre com minhas ausências temporárias, mas está sempre me esperando com aquele lindo sorriso. A pequena índia nem falava direito. Tanto pela idade quanto pela situação precária em que vivia. Notava-se que ela vivia marginalizada naquela cidade. Mas pobre menininha, tão novinha e jogada pelos cantos. Ela tentou falar algo, mas confesso que não entendi nada. Era uma espécie de dialeto indígena. Mais tarde, pesquisando na Internet, descobri que os índios que vivem naquela região são caingangues. A indiazinha estava com fome, pois apontou para o meu sanduíche. Entendi o recado e com um sentimento descomunal, entreguei o lanche a ela. Essa menina o devorou com tamanha voracidade, que tive medo que ela se engasgasse. Um momento triste, e que é comum em todo o país. Abri a mochila e peguei um pacote de biscoitos. Dei a menininha e ela saiu correndo, sumindo no horizonte. Um pouco mais aliviado, arrumei minhas coisas, pois o ônibus estava para chegar. Ouvi um burburinho e olhei para o lado. Uma legião de índios de todas as idades vinha em minha direção. Umas seis pessoas. E na frente do povo vinha a indiazinha. Claro, dei comida a ela e ela chamou a família para comer também! Minha nossa... Os índios chegaram perto e disseram que queriam comida, roupas, dinheiro. Estavam determinados naquilo. E eu desesperado, sem saber o que fazer desviava das pessoas e tentava fugir. Foi quando o ônibus apareceu e eu pulei pra dentro sem dó. Espiei pela janela e a tribo já tentava garantir comida com outras pessoas que chegaram na rodoviária. Que pesadelo! Deitei o banco, respirei fundo e adormeci. Sonhei com índios. Por que será?
PEDRA DO SEGREDO
Era final da manhã de um dia muito quente. Estávamos entre o dilema: “Vamos almoçar ou vamos até a Pedra do Segredo”. É claro que escolhemos a segunda opção. Estar em Caçapava do Sul e não ir até a Pedra do Segredo seria uma tremenda estupidez. Abdicamos de um almoço de beira de estrada para adentrar aquela estradinha de chão batido. Uma estradinha sem fim. Na esquina havia um botequinho onde estava um grupo de seletos senhores interioranos, saboreando uma cachaça de butiá. “É essa estrada que leva a Pedra do Segredo?” Perguntei. “É sim, mas é bom preparar as pernas, pois é um longo caminho”, me respondeu um dos senhores. Ao lado do bar, havia uma velha caminhoneta e em seu interior um rapaz de uns vinte e poucos anos que disse: “Eu levo vocês na pedra por quinze reais”. Topamos na hora. Ainda bem que topamos, pois a estradinha tinha mais de cinco quilômetros. O rapaz chamava-se Felisberto. Vivia de fretes e era especialista no assunto “Pedra do Segredo”. Morava no início da estrada e conhecia muito bem o trajeto. Já no início da “aventura”, Felisberto começou a contar histórias da tal gruta: “A pedra do segredo é amaldiçoada. Os jesuítas esconderam um tesouro lá. A gente não consegue entrar com velas lá dentro das grutas. As velas se apagam. Parece que não querem que a gente descubra o que tem lá dentro”. Logo nos aproximamos do local. Confesso que quando ficamos frente-a-frente com aquelas rochas, tremi as pernas. Eram duas pedras enormes com um formato inusitado. Pareciam duas cabeças de gorilas lado-a-lado. O lugar é muito misterioso. A energia é muito forte. Pelo pouco tempo que tínhamos, não pudemos entrar nas cavernas. Ficamos só admirando tal maravilha vista de fora. O Felisberto disse que existem três cavernas lá. A caverna da escuridão, O salão das estalactites e a caverna Percival Antunes. Perguntei quem fora Percival Antunes. Felisberto não soube me dizer, mas provavelmente tenha sido o descobridor do local. Depois de 30 minutos de contemplação, precisávamos retornar. Tínhamos que pegar a estrada rumo a Porto Alegre. Ai aconteceu o inusitado: a caminhoneta não pegava. Felisberto tentou várias vezes, mas a bateria morreu. Nesse instante começou a ventar muito no local. Olhamos para o alto e o céu escurecido denunciava um princípio de temporal. Um dia quente de final de primavera com um vento de outono. No mínimo estranho. Preocupei-me, pois a estrada era de chão batido e não havia nada ao redor. Segundo o nosso guia, ela terminava ali. Não havia nada adiante. Portanto tínhamos que retornar os cinco quilômetros que percorremos. O cenário era propício de um filme de suspense. Pessoas perdidas na mata rodeadas de montanhas gigantescas com formas assustadoras. Deu medo sim. Mas foi tudo muito rápido, graças a Deus. Num momento de “sorte”, Felisberto virou a chave a o motor voltou a funcionar. Na mesma hora entramos no veículo e seguimos em frente. Foi uma sensação bastante intrigante e desconfortável. Logo avistamos o botequinho da esquina. Pagamos o valor da corrida a Felisberto e para nossa surpresa, ao olharmos para o céu, ele estava limpinho. O verdadeiro “Céu de brigadeiro”. Felisberto perguntou a um dos senhores do bar: “E o temporal que estava vindo?”. O Velho senhor apenas disse: “Temporal? Este céu nunca esteve tão azul”. E voltou a saborear sua cachacinha de butiá. Fomos embora, sem nada entender. Mas podemos perceber que a Pedra do Segredo tem seus mistérios. Acredite se quiser!
FANTASMAS EM TRÊS PASSOS
Certa noite, estávamos chegando à cidade de Três Passos. Era por volta de 21:00h. Havíamos saído de Frederico Westphalen totalmente atrasados e precisávamos entregar um material em Três Passos naquele mesmo dia. Liguei para o responsável e ele autorizou a deixar com o vigilante noturno. A localidade se chamava Padre Roque Gonzalez, e a rua era Coroinha s/n°. Foi umadificuldade encontrar, ainda mais à noite, na penumbra do rancho posteiro. Paramos em um posto de gasolina e perguntamos. Era a cinco minutos dali. Quando dobramos à direita e adentramos na tal localidade, nos deparamos com uma cena muito estranha e medonha no morrinho ao lado da estrada de chão: Uma imensa claridade mostrava a figura de um homem e uma criança. Eram totalmente brancos. O motorista que estava comigo resmungou algo como: “Jesus, Maria, José, olha lá uma assombração”! Eu gelei na hora. Era impressionante, existia mesmo a figura de um homem e uma criança. Foi rápido e assustador. Desviamos e dobramos na outra rua. Aquilo era surreal. Ao chegarmos no local da entrega e encontrarmos o guarda, dissemos desesperados: -“O senhor nem imagina, acabamos de ver duas assombrações. Um homem e uma criança encima do morro cobertos por uma luz”. O guarda na maior calma perguntou-nos: -“Vocês vieram pela estrada e dobraram na entrada do loteamento”? –“Sim”, respondemos apavorados! Então o guarda soltou uma imensa gargalhada e disse: -“Não! Não são fantasmas não. São as estátuas dos Mártires de Nonoai. À noite eles são iluminados por dois holofotes. Mas não se preocupem, pois isso acontece sempre com os desavisados”. Mais aliviados, pudemos respirar melhor. Então o Seu Francisco (o guarda), ofereceu-nos uma xícara de café e contou-nos a história. “Em meados de 1923, 1924, o Padre Espanhol Manuel González acompanhado do coroinha Adílio Deronch faziam uma evangelização na região de Três Passos. Como havia uma revolução na época, os dois foram capturados, torturados e assassinados brutalmente. Seus corpos foram encontrados amarrados em árvores. Contam os antigos que foi uma cena horrível. Os corpos foram retirados e levados para Nonoai (local de onde vieram). Após o incidente, no local das mortes foi levantado um monumento com as estátuas dos dois em tamanho natural e da forma como foram mortos, ou seja, amarrados nas árvores”. Após o cafezinho e a prosa, nos despedimos e seguimos a estrada, pois a viagem de retorno a Porto Alegre seria bastante longa. Chegando em casa pude pesquisar um pouco sobre a história dos Mártires de Nonoai e descobrir a quantidade de devotos que os seguiam a muito tempo. Vi também que o caso estava em processo de beatificação no Vaticano, pois existiam histórias de milagres atribuídos aos dois. Essa experiência foi em 2006, e para minha surpresa os Mártires de Nonoai foram beatificados no mês passado (outubro de 2007). Um destino abençoado aos “Fantasmas”, digo “Mártires” de Nonoai. Prestem atenção ao chegarem em Três Passos. Até hoje lembro como foi assustadora aquela cena. Qualquer um vendo às estátuas no alto de um morro a noite, iluminadas por uma luz que vinha não sei de onde, pensaria que estava vendo assombração... Em outra oportunidade, passei por Três Passos durante o dia e não resisti. Parei para fotografar as estátuas...
HARD WORKING BAND


Sessão “Vamos matar a saudade”... Segue mais um texto escrito em 2002 quando fiz um teste para cantar na “Hard Working Band” (Banda de soul music que teve seu auge lá pelos anos de 2000/2001 em Porto Alegre). Segue a íntegra: O CONVITE Era final de agosto de 2002. Estava em casa, sozinho, curtindo meus últimos e merecidos dias de férias. Até que no meio da tarde o telefone toca:
-“Alô, eu poderia falar com o Márcio”?
Era o Duda, ou para quem preferir Eduardo da Rosa Alves, grande amigo e colega tenor coro da Procergs.
Conversamos durante alguns minutos, mas senti que o Duda queria me dizer algo. Até que entramos no assunto “música”. O Duda comentou sobre um show que o “Vocal 5” (grupo musical A capella do qual participa) pretendia fazer com a Andréia Cavalheiro e a Letícia Oliveira da Banda de soul music “Hard Working”: -“Sabe aquele show que eu te falei? Pois é, ele foi cancelado. Parece que houve alguns problemas com a banda. Lamentamos o fato. Éque eu ficava enchendo o saco do Eduardo, perguntando sempre sobre esse show. Queria assisti-lo. O Duda então criou coragem e falou: -“Tenho uma coisa pra te falar. É que os guris (Jonatas Prates e Nelson Ebelt) vão deixar a banda”... (...) Silêncio no ar. Naquele momento fiquei muito triste, pois estava vendo uma de minhas bandas preferidas se dissolver. Os dois vocalistas resolveram pedir licença e se retirar definitivamente. -“Calma! Eu não te contei o resto. Sabe quem foi convidado para fazer teste para entrar como vocal na banda? Eu”. Novamente fiquei perplexo. Até cair a ficha lá se foram 5 segundos. O Duda poderia entrar para a “Hard Working”. Que maravilha. Já fiquei todo orgulhoso. Se fosse chamado estariam fazendo uma escolha e tanto. Fiquei muito feliz. Mas ele interrompeu minha euforia e disparou logo: -“Márcio, eu não aceitei”! Pela terceira vez, me surpreendi. Ele me explicou que não conseguiria se dedicar a mais um compromisso (ele canta oficialmente em três grupos, pelo menos é o que tenho conhecimento). Mas nem todas as bombas foram lançadas: -“As gurias então me pediram para eu indicar alguém, então eu te indiquei”! Por instantes não entendi a situação. Pedi para ele repetir. O Duda havia me indicado a fazer um teste para entrar para a banda. Puxa vida, que presente. Cantar Na minha banda de soul music preferida.
Passou-me o telefone celular da Andréia para eu marcar o teste. Logo depois de desligar, liguei imediatamente para ela. Eu estava muito nervoso. Ela atendeu com sua voz suave. Me identifiquei como amigo do Duda, ai ficou tudo em casa. Ela foi muito gentil e passou as primeiras coordenadas. Pediu para eu passar na produtora e pegar um cd com as músicas do teste e as letras. Eram ao todo quatro temas: Duas em inglês (Soul Man e My Girl) e duas em português (Todo o meu canto e Mandei cancelar). Tive exatamente uma semana para ensaiá-las. Estava tão apreensivo que não consegui dormir direito já no dia da notícia. Bem, a sorte foi lançada. O TESTE Comecei a sofrer com uma semana de antecedência. Na madrugada de terça para quarta (03 para 04 de setembro), não preguei o olho. Trabalhei o dia inteiro com aquele frio na barriga. Confesso que pensei em desistir, mas logo tirei essa idéia da cabeça. Caia à tarde. Eu tive que passar em casa para pegar o CD e as letras. Fiz aquecimento vocal e tomei muita água.
Já na Marcílio Dias, eu respirava fundo. Cheguei ao estúdio Nazari um pouco adiantado. Toquei a campainha. A menina baixinha atendeu: -“Oi! Eu tenho horário marcado com o pessoal da “Hard Working”! -“Ah, claro! Pode entrar. O Carlos já está ai”. Realmente o Carlos Mallmann (trombonista) já esperava olhando pro relógio. Percebi sua pontualidade. -“Oi, tudo bem! Eu sou o Márcio. Vim fazer o teste com vocês”. -“Legal cara, senta ai que o pessoal deve estar chegando. Bah cara, tu é figurinha carimbada nos shows, eu me lembro de ti”. Claro, eu ia a todos os shows da banda. Batemos um papo na ante-sala enquanto a “Black Master” ensaiava no estúdio. O Mallmann contava que os caras (Jonatas e Nélson) estavam saindo da banda na boa.
O pessoal chegava aos poucos. Até que se reuniram a portas fechadas no estúdio. Eu estava bastante apreensivo, andando de um lado para outro. A Letícia veio me chamar; -“Oi! Tu és o Márcio, né? Entra e fica a vontade. Os guris estão terminando de afinar os instrumentos.
Com exceção do Anginho do Trumpete e do Deco Oldmann que chegaram atrasados, a banda estava reunida. Somente os ex-integrantes não compareceram (obviamente). A Andréa pediu para eu testar o microfone:
-“Tá bom? Ta grave demais? Se não tiver bom, dá um toque. Quem comanda este ensaio é você, portanto faça o que quiser”! Antes de começar, falei que tive dificuldades com a tonalidade de Soul Man. Então eles disseram que poderiam abaixar meio tom. Decidi encarar assim mesmo, em mi maior. Começamos com “My Girl”, a minha preferida. Não precisei decorar a letra, pois canto essa canção desde os meus quinze anos, quando aprendi as primeiras noções de violão. E, além disso, sou fã dos “Tempatations”.
A segunda foi “Todo o meu canto” e a terceira “Mandei cancelar”. Por serem letras em português, não tive problemas em cantá-las. Gosto e entendo inglês, porém prefiro cantar em português. Sou filho da “Bossa” com o “Samba”. A quarta e última música foi à temida “Soul man”.
Confesso que foi a pior interpretação. Por ser uma música bastante forte e por eu já estar “grilado” com o tom, o desempenho foi ruim. Cheio de altos e baixos. Todos me olhavam para ver se estava tudo bem. Me deixaram super a vontade. Foram fora de série.
Depois do teste vocal fizeram uma mini entrevista. Primeiro apresentei-me. Dei minha ficha completa. E todos ali, me olhando, me analisando. Uma seriedade desconfortável. E no final do discurso disse que sendo ou não escolhido, o importante foi ter participado e de ter ganhado um “ensaio com minha banda preferida”. Todos riram e disseram que foi um prazer.
Ao findar agradeci a todos pela paciência. Letícia me conduziu até a porta, onde cruzei com o próximo candidato. Era outra figurinha carimbada nos shows da banda, o Maurício.
Maurício foi o escolhido, com todo o mérito, pois cantava e interpretava com a alma. Mas a permanência dele durou apenas um ano, pois a banda resolveu acabar de vez, lamentavelmente. Cada um seguiu seu caminho. Andréia faz jingles publicitários, faz backing vocals esporádicos para a Ultramen e tem uma Banda chamada “Dea’s Gang”.
Já a Letícia foi morar em São Paulo. Participou do programa do Raul Gil como caloura e ainda foi integrante do programa “Fama” da Globo. O restante do pessoal foi seguindo caminhos diferentes.
Não tenho queixas ou reclamações sobre aquele dia. Foi fantástico para mim. Uma grande honra e sem dúvida um grande aprendizado. Sai de lá com a sensação de dever cumprido. Tomei meu rumo em direção á Avenida Praia de Belas satisfeito pelo presente que recebi do Duda. O mais importante para mim naquela noite de setembro foi ter ensaiado com eles, uma banda memorável e inesquecível. Com certeza sou um fã realizado.
-“Alô, eu poderia falar com o Márcio”?
Era o Duda, ou para quem preferir Eduardo da Rosa Alves, grande amigo e colega tenor coro da Procergs.
Conversamos durante alguns minutos, mas senti que o Duda queria me dizer algo. Até que entramos no assunto “música”. O Duda comentou sobre um show que o “Vocal 5” (grupo musical A capella do qual participa) pretendia fazer com a Andréia Cavalheiro e a Letícia Oliveira da Banda de soul music “Hard Working”: -“Sabe aquele show que eu te falei? Pois é, ele foi cancelado. Parece que houve alguns problemas com a banda. Lamentamos o fato. Éque eu ficava enchendo o saco do Eduardo, perguntando sempre sobre esse show. Queria assisti-lo. O Duda então criou coragem e falou: -“Tenho uma coisa pra te falar. É que os guris (Jonatas Prates e Nelson Ebelt) vão deixar a banda”... (...) Silêncio no ar. Naquele momento fiquei muito triste, pois estava vendo uma de minhas bandas preferidas se dissolver. Os dois vocalistas resolveram pedir licença e se retirar definitivamente. -“Calma! Eu não te contei o resto. Sabe quem foi convidado para fazer teste para entrar como vocal na banda? Eu”. Novamente fiquei perplexo. Até cair a ficha lá se foram 5 segundos. O Duda poderia entrar para a “Hard Working”. Que maravilha. Já fiquei todo orgulhoso. Se fosse chamado estariam fazendo uma escolha e tanto. Fiquei muito feliz. Mas ele interrompeu minha euforia e disparou logo: -“Márcio, eu não aceitei”! Pela terceira vez, me surpreendi. Ele me explicou que não conseguiria se dedicar a mais um compromisso (ele canta oficialmente em três grupos, pelo menos é o que tenho conhecimento). Mas nem todas as bombas foram lançadas: -“As gurias então me pediram para eu indicar alguém, então eu te indiquei”! Por instantes não entendi a situação. Pedi para ele repetir. O Duda havia me indicado a fazer um teste para entrar para a banda. Puxa vida, que presente. Cantar Na minha banda de soul music preferida.
Passou-me o telefone celular da Andréia para eu marcar o teste. Logo depois de desligar, liguei imediatamente para ela. Eu estava muito nervoso. Ela atendeu com sua voz suave. Me identifiquei como amigo do Duda, ai ficou tudo em casa. Ela foi muito gentil e passou as primeiras coordenadas. Pediu para eu passar na produtora e pegar um cd com as músicas do teste e as letras. Eram ao todo quatro temas: Duas em inglês (Soul Man e My Girl) e duas em português (Todo o meu canto e Mandei cancelar). Tive exatamente uma semana para ensaiá-las. Estava tão apreensivo que não consegui dormir direito já no dia da notícia. Bem, a sorte foi lançada. O TESTE Comecei a sofrer com uma semana de antecedência. Na madrugada de terça para quarta (03 para 04 de setembro), não preguei o olho. Trabalhei o dia inteiro com aquele frio na barriga. Confesso que pensei em desistir, mas logo tirei essa idéia da cabeça. Caia à tarde. Eu tive que passar em casa para pegar o CD e as letras. Fiz aquecimento vocal e tomei muita água.
Já na Marcílio Dias, eu respirava fundo. Cheguei ao estúdio Nazari um pouco adiantado. Toquei a campainha. A menina baixinha atendeu: -“Oi! Eu tenho horário marcado com o pessoal da “Hard Working”! -“Ah, claro! Pode entrar. O Carlos já está ai”. Realmente o Carlos Mallmann (trombonista) já esperava olhando pro relógio. Percebi sua pontualidade. -“Oi, tudo bem! Eu sou o Márcio. Vim fazer o teste com vocês”. -“Legal cara, senta ai que o pessoal deve estar chegando. Bah cara, tu é figurinha carimbada nos shows, eu me lembro de ti”. Claro, eu ia a todos os shows da banda. Batemos um papo na ante-sala enquanto a “Black Master” ensaiava no estúdio. O Mallmann contava que os caras (Jonatas e Nélson) estavam saindo da banda na boa.
O pessoal chegava aos poucos. Até que se reuniram a portas fechadas no estúdio. Eu estava bastante apreensivo, andando de um lado para outro. A Letícia veio me chamar; -“Oi! Tu és o Márcio, né? Entra e fica a vontade. Os guris estão terminando de afinar os instrumentos.
Com exceção do Anginho do Trumpete e do Deco Oldmann que chegaram atrasados, a banda estava reunida. Somente os ex-integrantes não compareceram (obviamente). A Andréa pediu para eu testar o microfone:
-“Tá bom? Ta grave demais? Se não tiver bom, dá um toque. Quem comanda este ensaio é você, portanto faça o que quiser”! Antes de começar, falei que tive dificuldades com a tonalidade de Soul Man. Então eles disseram que poderiam abaixar meio tom. Decidi encarar assim mesmo, em mi maior. Começamos com “My Girl”, a minha preferida. Não precisei decorar a letra, pois canto essa canção desde os meus quinze anos, quando aprendi as primeiras noções de violão. E, além disso, sou fã dos “Tempatations”.
A segunda foi “Todo o meu canto” e a terceira “Mandei cancelar”. Por serem letras em português, não tive problemas em cantá-las. Gosto e entendo inglês, porém prefiro cantar em português. Sou filho da “Bossa” com o “Samba”. A quarta e última música foi à temida “Soul man”.
Confesso que foi a pior interpretação. Por ser uma música bastante forte e por eu já estar “grilado” com o tom, o desempenho foi ruim. Cheio de altos e baixos. Todos me olhavam para ver se estava tudo bem. Me deixaram super a vontade. Foram fora de série.
Depois do teste vocal fizeram uma mini entrevista. Primeiro apresentei-me. Dei minha ficha completa. E todos ali, me olhando, me analisando. Uma seriedade desconfortável. E no final do discurso disse que sendo ou não escolhido, o importante foi ter participado e de ter ganhado um “ensaio com minha banda preferida”. Todos riram e disseram que foi um prazer.
Ao findar agradeci a todos pela paciência. Letícia me conduziu até a porta, onde cruzei com o próximo candidato. Era outra figurinha carimbada nos shows da banda, o Maurício.
Maurício foi o escolhido, com todo o mérito, pois cantava e interpretava com a alma. Mas a permanência dele durou apenas um ano, pois a banda resolveu acabar de vez, lamentavelmente. Cada um seguiu seu caminho. Andréia faz jingles publicitários, faz backing vocals esporádicos para a Ultramen e tem uma Banda chamada “Dea’s Gang”.
Já a Letícia foi morar em São Paulo. Participou do programa do Raul Gil como caloura e ainda foi integrante do programa “Fama” da Globo. O restante do pessoal foi seguindo caminhos diferentes.
Não tenho queixas ou reclamações sobre aquele dia. Foi fantástico para mim. Uma grande honra e sem dúvida um grande aprendizado. Sai de lá com a sensação de dever cumprido. Tomei meu rumo em direção á Avenida Praia de Belas satisfeito pelo presente que recebi do Duda. O mais importante para mim naquela noite de setembro foi ter ensaiado com eles, uma banda memorável e inesquecível. Com certeza sou um fã realizado.
O BRUXO EM PORTO ALEGRE
Este texto é de 2001 e foi escrito para a disciplina de entrevista e reportagem quando eu cursava jonalismo na Unisinos. Fala sobre um workshop que o músico Hermeto Pascoal oefereceu em Porto Alegre. vale a pena lembrar. Segue a íntegra:
Nesta sexta-feira, dia 14 de setembro de 2001, o músico alagoano Hermeto Pascoal presenteou os porto-alegrenses com uma oficina de música gratuita.
O Teatro Renascença ficou lotado para ouvir os sons e as estórias que o "Mago da Música" tinha pra contar. Brincalhão e muito simpático, já na fila de entrada do teatro, Hermeto aproximou-se do público e perguntou:
-"Esta fila é para ver a Xuxa"?
Gargalhada geral. Ali, o gênio mostrou-se simples e muito bem humorado.
A apresentação começou descontraída. O músico multinstrumentista trouxe uma bolsa que chamou de "a sacola de bugigangas", de onde tirou vários objetos estranhos. O primeiro foi uma pequena chaleira, de onde inacreditavelmente Hermeto soprou e fez um som de trumpete. Homenageou o amigo Miles Davis e depois de tocar um breve tema na chaleira, disse o seguinte:
-"Albino Crazy"! Era assim que o Miles me chamava.
Pascoal contou como começou a fazer música:
-"Meu avô era ferreiro. Jogava os restos de ferro fora e eu os pegava. Tirava sons lindos, mas minha mãe achava que eu estava ficando maluco, mas com o tempo ela até chorou me ouvindo tocar. Eu tinha mais ou menos oito anos".
Logo demonstrou sons feitos com a camisa, com a buchecha e com a barba. Quando um celular tocou na platéia, atrapalhando a palestra, o músico largou o microfone e correu para o piano que lá estava. reproduziu o som do celular e tocou durante uns dois minutos. As pessoas assistiam deslumbradas o poder de captação e audição aguçada que o velho senhor de sessenta e poucos anos mostrava. Ao término da apresentação improvisada, Hermeto foi aplaudido de pé e logo pegou o microfone dizendo visivelmente emocionado:
-"Isso tinha que acontecer. Isso é música"...
Da sacola de bugigangas ele tirou uns brinquedinhos de borracha, daqueles para bebês. Com eles fez um belo maracatú. Homenageou um amigo gaúcho, o também músico Renato Borghetti, tocando na sanfona a música "Tomando um chimarrão" que compôs para Borghettinho.
Respondeu algumas perguntas e logo convidou a platéia para improvisar com ele no palco. Vieram flautistas, pianistas, violonistas e percussionistas.
O alagoano deu um show juntamente com os convidados de última hora e preferiu não se despedir formalmente. Saiu de cena tocando "Lagoa da Canoa" e dizendo que em breve retornaria à capital.
O bruxo passou pela cidade, mas sua magia ficou.
Nesta sexta-feira, dia 14 de setembro de 2001, o músico alagoano Hermeto Pascoal presenteou os porto-alegrenses com uma oficina de música gratuita.
O Teatro Renascença ficou lotado para ouvir os sons e as estórias que o "Mago da Música" tinha pra contar. Brincalhão e muito simpático, já na fila de entrada do teatro, Hermeto aproximou-se do público e perguntou:
-"Esta fila é para ver a Xuxa"?
Gargalhada geral. Ali, o gênio mostrou-se simples e muito bem humorado.
A apresentação começou descontraída. O músico multinstrumentista trouxe uma bolsa que chamou de "a sacola de bugigangas", de onde tirou vários objetos estranhos. O primeiro foi uma pequena chaleira, de onde inacreditavelmente Hermeto soprou e fez um som de trumpete. Homenageou o amigo Miles Davis e depois de tocar um breve tema na chaleira, disse o seguinte:
-"Albino Crazy"! Era assim que o Miles me chamava.
Pascoal contou como começou a fazer música:
-"Meu avô era ferreiro. Jogava os restos de ferro fora e eu os pegava. Tirava sons lindos, mas minha mãe achava que eu estava ficando maluco, mas com o tempo ela até chorou me ouvindo tocar. Eu tinha mais ou menos oito anos".
Logo demonstrou sons feitos com a camisa, com a buchecha e com a barba. Quando um celular tocou na platéia, atrapalhando a palestra, o músico largou o microfone e correu para o piano que lá estava. reproduziu o som do celular e tocou durante uns dois minutos. As pessoas assistiam deslumbradas o poder de captação e audição aguçada que o velho senhor de sessenta e poucos anos mostrava. Ao término da apresentação improvisada, Hermeto foi aplaudido de pé e logo pegou o microfone dizendo visivelmente emocionado:
-"Isso tinha que acontecer. Isso é música"...
Da sacola de bugigangas ele tirou uns brinquedinhos de borracha, daqueles para bebês. Com eles fez um belo maracatú. Homenageou um amigo gaúcho, o também músico Renato Borghetti, tocando na sanfona a música "Tomando um chimarrão" que compôs para Borghettinho.
Respondeu algumas perguntas e logo convidou a platéia para improvisar com ele no palco. Vieram flautistas, pianistas, violonistas e percussionistas.
O alagoano deu um show juntamente com os convidados de última hora e preferiu não se despedir formalmente. Saiu de cena tocando "Lagoa da Canoa" e dizendo que em breve retornaria à capital.
O bruxo passou pela cidade, mas sua magia ficou.
E SE A BOSSA FOSSE GAÚCHA?
Texto assumidamente alucinado e bairrista. Sempre me perguntei como seria se a Bossa Nova tivesse nascido no Rio Grande ao invés do Rio de Janeiro. Na realidade, nunca encontrei respostas e sim muitas suposições.
Imaginem se misturássemos a bossa com uma milonga ou com um Chamamé, por exemplo. Já tentei imaginar o João Gilberto cantando “Chega de saudade” com uma gaita ponto ao fundo. E se o poetinha Vinícius, pai de muitos versos, começasse a declamar ou contar causos de galpão ao lado de Simões Lopes Neto. Confesso que várias imagens um tanto quanto inusitadas já povoaram meus pensamentos.
Pois dias atrás fiquei surpreso quando, ao revirar meu baú de antiguidades, encontrei um recorte de jornal datado do ano de 1997, falando sobre uma recém lançada biografia do maestro Antônio Carlos Jobim, escrita pelo jornalista Sérgio Cabral. Admirei-me quando vi uma nota ao lado dizendo que o pai de Tom Jobim era gaúcho de São Gabriel. “E não é que o Tom tem um lado gaúcho”!
O escritor e diplomata Jorge de Oliveira Jobim. Amigo de intelectuais como Sérgio Buarque de Hollanda, Augusto Meyer e Érico Veríssimo, organizou quatro coletâneas de literatura brasileira e publicou dois livros (um de prosas e outro de poesias). Casou-se com Nilza Brasileiro de Almeida no Rio de Janeiro em 1926, viu o filho Antônio nascer, mas logo depois de Tom completar um ano, separou-se de Nilza e voltou para São Gabriel.
Uma tentativa de reconciliação, três anos depois, resultou no nascimento de mais uma criança, Helena. Mas novamente o casamento não durou. Jorge faleceu em 1935, aos 46 anos em Petrópolis no Estado do Rio de Janeiro.
Depois de ler a reportagem logo voltei aos meus devaneios: E se Tom Jobim tivesse nascido no Rio Grande do Sul, como seria hoje a história da música brasileira? Se, ao invés de paisagens praianas como Ipanema e Copacabana, Tom se inspirasse em campos e coxilhas coberto de geada? Se a Bossa Nova já é melancólica mesmo com o sol carioca o que seria dela com os nossos dias tão frios?
É claro que décadas depois do seu surgimento, este movimento musical está totalmente atual e ativo. Tanto que “Garota de Ipanema” ainda é uma das músicas mais conhecidas e executadas no mundo. Mas essa idéia de “Bossa Gaúcha” não me sai da memória. Creio que estejamos necessitando de algo novo. Um novo movimento. Misturando ritmos, instrumentos e novas idéias. A Bossa foi revolucionária nos anos cinqüenta, porque não podemos fazer uma nova revolução nos dias de hoje?
Tudo bem que já “exportamos” para o mundo talentos genuinamente gaúchos como Lupicínio Rodrigues, Nelson Gonçalves, Elis Regina, Kleiton & Kledir, Adriana Calcanhotto, Engenheiros do Hawaii, Nenhum de Nós. Precisamos nos renovar. Temos músicos maravilhosos e competentes como o Yamandú Costa, o Vitor Ramil, o Antônio Villeroy. Bandas excelentes como Ultramen e Papas da Língua. O Rio Grande do Sul é celeiro de artistas, mas infelizmente ainda não tem o seu devido reconhecimento.
Se Antonio Carlos Jobim fosse gaúcho, talvez a história da música tivesse sido diferente, tomado outro rumo. Mas ainda bem que Tom nasceu brasileiro, acima de tudo.
Imaginem se misturássemos a bossa com uma milonga ou com um Chamamé, por exemplo. Já tentei imaginar o João Gilberto cantando “Chega de saudade” com uma gaita ponto ao fundo. E se o poetinha Vinícius, pai de muitos versos, começasse a declamar ou contar causos de galpão ao lado de Simões Lopes Neto. Confesso que várias imagens um tanto quanto inusitadas já povoaram meus pensamentos.
Pois dias atrás fiquei surpreso quando, ao revirar meu baú de antiguidades, encontrei um recorte de jornal datado do ano de 1997, falando sobre uma recém lançada biografia do maestro Antônio Carlos Jobim, escrita pelo jornalista Sérgio Cabral. Admirei-me quando vi uma nota ao lado dizendo que o pai de Tom Jobim era gaúcho de São Gabriel. “E não é que o Tom tem um lado gaúcho”!
O escritor e diplomata Jorge de Oliveira Jobim. Amigo de intelectuais como Sérgio Buarque de Hollanda, Augusto Meyer e Érico Veríssimo, organizou quatro coletâneas de literatura brasileira e publicou dois livros (um de prosas e outro de poesias). Casou-se com Nilza Brasileiro de Almeida no Rio de Janeiro em 1926, viu o filho Antônio nascer, mas logo depois de Tom completar um ano, separou-se de Nilza e voltou para São Gabriel.
Uma tentativa de reconciliação, três anos depois, resultou no nascimento de mais uma criança, Helena. Mas novamente o casamento não durou. Jorge faleceu em 1935, aos 46 anos em Petrópolis no Estado do Rio de Janeiro.
Depois de ler a reportagem logo voltei aos meus devaneios: E se Tom Jobim tivesse nascido no Rio Grande do Sul, como seria hoje a história da música brasileira? Se, ao invés de paisagens praianas como Ipanema e Copacabana, Tom se inspirasse em campos e coxilhas coberto de geada? Se a Bossa Nova já é melancólica mesmo com o sol carioca o que seria dela com os nossos dias tão frios?
É claro que décadas depois do seu surgimento, este movimento musical está totalmente atual e ativo. Tanto que “Garota de Ipanema” ainda é uma das músicas mais conhecidas e executadas no mundo. Mas essa idéia de “Bossa Gaúcha” não me sai da memória. Creio que estejamos necessitando de algo novo. Um novo movimento. Misturando ritmos, instrumentos e novas idéias. A Bossa foi revolucionária nos anos cinqüenta, porque não podemos fazer uma nova revolução nos dias de hoje?
Tudo bem que já “exportamos” para o mundo talentos genuinamente gaúchos como Lupicínio Rodrigues, Nelson Gonçalves, Elis Regina, Kleiton & Kledir, Adriana Calcanhotto, Engenheiros do Hawaii, Nenhum de Nós. Precisamos nos renovar. Temos músicos maravilhosos e competentes como o Yamandú Costa, o Vitor Ramil, o Antônio Villeroy. Bandas excelentes como Ultramen e Papas da Língua. O Rio Grande do Sul é celeiro de artistas, mas infelizmente ainda não tem o seu devido reconhecimento.
Se Antonio Carlos Jobim fosse gaúcho, talvez a história da música tivesse sido diferente, tomado outro rumo. Mas ainda bem que Tom nasceu brasileiro, acima de tudo.
LUGARES POR ONDE ANDEI: SÃO PAULO
Como bom sagitariano gosto muito de viajar. Por onde eu passo tento reunir o maior número de informações possíveis. Sou fascinado por história. Leio tudo sobre os locais por onde passo.
Como já fui há várias cidades (principalmente no interior do Rio Grande do Sul) acabei criando um diário imaginário sobre as pessoas, os costumes e os lugares por onde andei. Tenho uma boa memória e isso me proporciona escrever, relatar tudo quando chego em casa.
Chamarei de "LUGARES POR ONDE ANDEI" todos os posts sobre viagens e andanças feitas por mim pelo interior desse estado tão rico e maravilhoso que é o Rio Grande do Sul.
Iniciarei a série com uma quebra de protocolo. Falarei de "São Paulo", uma cidade sem precedentes. Só indo até lá para entender tamanha magnitude. Por isso São Paulo é a maior cidade do Brasil.
SÃO PAULO - Fui três vezes a Sampa. Nessas três passagens pela maior cidade do país, não pude conhecer nem 10% das coisas que lá existem. Mas falar em Sampa sem citar a Cínthia e o Diogo (Cici & Didi) seria uma tremenda gafe.
Cici e Didi são namorados. Meus grandes amigos paulistas. Toda vez que vou até lá organizamos um passeio cultural e turístico. Eles são paulistas, mas não conhecem nem a metade da cidade (he he he). Quem os leva sou eu. O "Gaúcho mais paulista do Brasil", é assim que eles me chamam. Certa vez a Cici falou que eu conheço mais São Paulo do que eles (ela é modesta)...
O primeiro lugar que quis conhecer foi a Avenida Paulista. Com seus imensos arranha-céus, a Paulista é grandiosa. O MASP (Museu de Arte de São Paulo) está localizado nela. Lá eu fui conferir a exposição sobre o naturalista Charles Darwin, e o pintor Goya. O MASP possui o maior vão livre do mundo (ou da América Latina, não lembro) onde são apresentadas exposições, peças de teatro, etc. Em frente ao MASP fica uma linda praça chamada Trianon.
Conheci o bairro "Vila Madalena" onde se concentra uma série de barzinhos, onde os paulistanos costumam fazer seus "happy hour". A Vila Madalena me lembrou muito o bairro Cidade baixa em Porto Alegre (só que três vezes maior).
O famoso "Bar Brahma" que nos anos 70 obteve seu auge continua com um charme encantador. Localizado na esquina da Ipiranga com a São João ("Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João - Sampa/Caetano Veloso), o bar fica lotado para assistir o Cauby Peixoto nas terças.
O edifício Copan, localizado no centro da cidade também tem o seu destaque. Desenhado em forma de "S" pelo genial arquiteto Oscar Niemayer, o prédio encanta que aos que passam. Pena que não conseguimos subir ao terraço. Como era noite e o prédio é residencial, a vigilância não autorizou a subida. Mas valeu a tentativa.
O edifício Itália é magistral. Ele também fica no centro e em seu terraço existe um restaurante panorâmico. Subimos lá, mas para nossa surpresa para adentrar ao recinto (terraço/restaurante) tinhamos que desembolsar R$ 50,00 cada um. Fingimos aceitar. Entramos, tiramos umas fotos da cidade e saimos de fininho...
O pátio do colégio é muito bonito. No prédio (Mosteiro de São Bento) ficou hospedado o Papa Bento XVI quando esteve no Brasil. Visitamos também o Theatro Municipal, a Praça e igreja da Sé, o minhocão, a rua Augusta, a Faria Lima.
Outro local que indico é o tradicional bairro italiano do Bixiga. Lá existem muitas "cantinas" (trattorias para os gaúchos) onde servem todos os tipos de comida italiana. Indico o "Rondelli ao quadrifoglio", simplesmente espetacular!
Muitos lugares ainda irei conhecer em São Paulo e certamente relatarei aqui. Agradeço imensamente os meus amigos Cínthia e Diogo que sempre me proporcionam passeios muito interessantes. Até a próxima amigos!
Como já fui há várias cidades (principalmente no interior do Rio Grande do Sul) acabei criando um diário imaginário sobre as pessoas, os costumes e os lugares por onde andei. Tenho uma boa memória e isso me proporciona escrever, relatar tudo quando chego em casa.
Chamarei de "LUGARES POR ONDE ANDEI" todos os posts sobre viagens e andanças feitas por mim pelo interior desse estado tão rico e maravilhoso que é o Rio Grande do Sul.
Iniciarei a série com uma quebra de protocolo. Falarei de "São Paulo", uma cidade sem precedentes. Só indo até lá para entender tamanha magnitude. Por isso São Paulo é a maior cidade do Brasil.
SÃO PAULO - Fui três vezes a Sampa. Nessas três passagens pela maior cidade do país, não pude conhecer nem 10% das coisas que lá existem. Mas falar em Sampa sem citar a Cínthia e o Diogo (Cici & Didi) seria uma tremenda gafe.
Cici e Didi são namorados. Meus grandes amigos paulistas. Toda vez que vou até lá organizamos um passeio cultural e turístico. Eles são paulistas, mas não conhecem nem a metade da cidade (he he he). Quem os leva sou eu. O "Gaúcho mais paulista do Brasil", é assim que eles me chamam. Certa vez a Cici falou que eu conheço mais São Paulo do que eles (ela é modesta)...
O primeiro lugar que quis conhecer foi a Avenida Paulista. Com seus imensos arranha-céus, a Paulista é grandiosa. O MASP (Museu de Arte de São Paulo) está localizado nela. Lá eu fui conferir a exposição sobre o naturalista Charles Darwin, e o pintor Goya. O MASP possui o maior vão livre do mundo (ou da América Latina, não lembro) onde são apresentadas exposições, peças de teatro, etc. Em frente ao MASP fica uma linda praça chamada Trianon.
Conheci o bairro "Vila Madalena" onde se concentra uma série de barzinhos, onde os paulistanos costumam fazer seus "happy hour". A Vila Madalena me lembrou muito o bairro Cidade baixa em Porto Alegre (só que três vezes maior).
O famoso "Bar Brahma" que nos anos 70 obteve seu auge continua com um charme encantador. Localizado na esquina da Ipiranga com a São João ("Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João - Sampa/Caetano Veloso), o bar fica lotado para assistir o Cauby Peixoto nas terças.
O edifício Copan, localizado no centro da cidade também tem o seu destaque. Desenhado em forma de "S" pelo genial arquiteto Oscar Niemayer, o prédio encanta que aos que passam. Pena que não conseguimos subir ao terraço. Como era noite e o prédio é residencial, a vigilância não autorizou a subida. Mas valeu a tentativa.
O edifício Itália é magistral. Ele também fica no centro e em seu terraço existe um restaurante panorâmico. Subimos lá, mas para nossa surpresa para adentrar ao recinto (terraço/restaurante) tinhamos que desembolsar R$ 50,00 cada um. Fingimos aceitar. Entramos, tiramos umas fotos da cidade e saimos de fininho...
O pátio do colégio é muito bonito. No prédio (Mosteiro de São Bento) ficou hospedado o Papa Bento XVI quando esteve no Brasil. Visitamos também o Theatro Municipal, a Praça e igreja da Sé, o minhocão, a rua Augusta, a Faria Lima.
Outro local que indico é o tradicional bairro italiano do Bixiga. Lá existem muitas "cantinas" (trattorias para os gaúchos) onde servem todos os tipos de comida italiana. Indico o "Rondelli ao quadrifoglio", simplesmente espetacular!
Muitos lugares ainda irei conhecer em São Paulo e certamente relatarei aqui. Agradeço imensamente os meus amigos Cínthia e Diogo que sempre me proporcionam passeios muito interessantes. Até a próxima amigos!
CORAL PROCERGS: AMADURECIMENTO MUSICAL
Fazer parte do coro da PROCERGS foi indubtavelmente um salto na minha percepção e gosto musical. Foi um aprendizado muito grande. Quando digo "foi", não quer dizer que eu não faça mais parte, é que meu trabalho toma o tempo no qual eu poderia estar ensaiando. Hoje eu não consigo freqüentar os ensaios, as apresentações e os grandes retiros. Estou devendo, eu sei, mas no momento que sobrar uma brecha na minha agenda apertada, estarei junto com meus queridos amigos e colegas de coral.
Como eu ia dizendo, o coro me proporcionou momentos muito agradáveis e felizes. Ingressei na carreira coralística no ano 2000 através de uma colega de trabalho, a Adriana. Lá conheci muita gente simples, de diversas faixas etárias e com uma vontade imensa de cantar.
Quando cheguei, a única bagagem musical que eu tinha era da banda Incógnita. Não tinha nada a ver com canto coral. Por isso tive que aprender tudo do zero. Ler partituras (que é difícil pra caramba!), fazer aquecimento e técnica vocal, estudar a teoria e a prática musical. Cada canção leva um tempo para amadurecer. Se for em outro idioma o serviço é em dobro, pois nós temos que entender o que estamos transmitindo aos outros.
Meu ouvido ficou muito mais aguçado. Minha voz ficou mais firme. Virei barítono (voz masculina entre o grave e o agudo), logo passei a cantar como tenor (voz aguda masculina). Cantei de tudo um pouco (Músicas sacras, MPB, regionais, clássicas, natalinas...) e em vários idiomas (português, espanhol, inglês, italiano, alemão, latim). Me apresentei em vários lugares. Conheci muitas cidades do Rio Grande do Sul. O coro viajou para lugares mais distantes como o Centro-oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e para fora do Brasil (Argentina).
Tudo que vivi no coral foi de grande valia para minha vida. A técnica vocal é uma terapia, pois eu chegava aos ensaios depois do trabalho extremamente cansado e saia de lá totalmente revitalizado.
Recomendo o canto como tratamento para a vida. Experimentem, vocês verão que dará resultados!
Como eu ia dizendo, o coro me proporcionou momentos muito agradáveis e felizes. Ingressei na carreira coralística no ano 2000 através de uma colega de trabalho, a Adriana. Lá conheci muita gente simples, de diversas faixas etárias e com uma vontade imensa de cantar.
Quando cheguei, a única bagagem musical que eu tinha era da banda Incógnita. Não tinha nada a ver com canto coral. Por isso tive que aprender tudo do zero. Ler partituras (que é difícil pra caramba!), fazer aquecimento e técnica vocal, estudar a teoria e a prática musical. Cada canção leva um tempo para amadurecer. Se for em outro idioma o serviço é em dobro, pois nós temos que entender o que estamos transmitindo aos outros.
Meu ouvido ficou muito mais aguçado. Minha voz ficou mais firme. Virei barítono (voz masculina entre o grave e o agudo), logo passei a cantar como tenor (voz aguda masculina). Cantei de tudo um pouco (Músicas sacras, MPB, regionais, clássicas, natalinas...) e em vários idiomas (português, espanhol, inglês, italiano, alemão, latim). Me apresentei em vários lugares. Conheci muitas cidades do Rio Grande do Sul. O coro viajou para lugares mais distantes como o Centro-oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e para fora do Brasil (Argentina).
Tudo que vivi no coral foi de grande valia para minha vida. A técnica vocal é uma terapia, pois eu chegava aos ensaios depois do trabalho extremamente cansado e saia de lá totalmente revitalizado.
Recomendo o canto como tratamento para a vida. Experimentem, vocês verão que dará resultados!
REQUIEM PARTE III - PUC
Acordei cambaleando às 8 hs da manhã direto para o banheiro (é que eu precisava fazer xixi!). Voltei para a cama e só levantei ao meio-dia. Almocei tranqüilamente e às 13:30 hs peguei o T4 direto para a PUC.
Ao chegar já pude perceber e ouvir gargalhadas que vinham de uma sala. Era, obviamente, o coro mais alegre do Brasil, o Coral da Procergs. Entrando no camarim que nos fora reservado, tive uma alegre surpresa ao ver a Adriana. Para quem não sabe, foi ela que me levou para fazer o teste na Procergs, ou seja, ela me pôs no mal caminho! Estava acompanhada de sua filha Giovana (aquela menininha que tocou a “flautinha” nas missões), que hoje está uma enorme mulher. A Adri registrou a apresentação em VHS.
Não deixamos de lembrar da palavra-chave da noite anterior: “MORS”. Na parte final de “Tuba Mirum”(do “Dies Irae”) o baixo solista, José Gallisa, entoa a palavra “MORS” (que quer dizer “morte” em latim) três vezes. Uma mais grotesca que a outra, como se realmente estivesse morrendo. Foi um momento marcante, talvez por isso tenha chamado a atenção de todos (fizemos até aquecimento com o “Mors”. Que horror!).
Ainda sobre os solistas, não poderia deixar de elogiar e citar aqui neste humilde texto o tenor Marcello Vannucci, a soprano Adriana de Almeida (mais tarde fiquei sabendo que ela é esposa do “Papa Gerling”. O Maestro tá com tudo!) e a mezzo soprano Regina Elena Mesquita (além do baixo “Zé”, já citado).
Nos posicionamos atrás do palco, nos demos as mãos e refizemos a oração do dia anterior. Fomos até o palco e ficamos exatamente nos lugares onde ensaiamos (Ufa! Desta vez não rolou “stress” com a tiazinha...). O salão de Atos não estava totalmente lotado, mas 70% dos lugares foram ocupados. O Maetro “papa Gerling” fez um sinal e a orquestra iniciou o “Requiem e Kyrie”.
Logo o momento (para mim) mais excitante e empolgante da noite “Dies Irae”. Ele fala no dia da ira, portanto é impactante a forma com que são tocados os instrumentos (principalmente o tímpano (o enorme tambor)). Neste momento tínhamos a impressão que o teatro desabaria sobre nossas cabeças. Foi forte mesmo!
Depois vieram “o “Tuba Mirum”, “Liber Scriptus”, “Quid Sum Miser” e o “Rex Tremendae” (em todos estes somos acompanhados pelos solistas). Logo chega a calmaria. O momento dos solos, ou seja, 20 minutos que ficamos parados sem poder sentar ou sequer tomar água.
As solistas (soprano e mezzo) fizeram o “Recordare”. O tenor cantou o “Ingemisco” e o baixo fechou com “Confutatis”. Eu, o Edemar, o Duda, o Léo e o Manuel nos esforçamos para não rir. Só lembro que quando chegou a hora do “MORS”. Coloquei a partitura no rosto para não enxergar ninguém. O Léo me disse depois que não podia olhar nenhum minuto para mim, pois tinha a certeza de que eu estaria rindo. Ah! Já ia me esquecendo. O Edemar tirou o sapato (É, ele coseguiu!). E o “Lênin” que estava em nossa frente deve ter sentido algum cheiro estranho e começou a olhar prá baixo, examinando pé por pé. O Edemar escondeu o sapato embaixo da batina preta e me perguntou baixinho: -“ Será que ele sentiu algum cheiro?” Não me contive. Usei a tática da partitura novamente e tapei minha cara.
Afora os imprevistos, depois do “Confutatis” voltamos a cantar “Lacrymosa” com todos os solistas. Na hora do “Offertorio”, mais alguns minutos parados. Só os solistas em ação. Voltamos com “Sanctus” (que é bábaro!) e passamos para “Agnus dei” com as solistas (soprano e mezzo).
Depois foi a vez de “Lux Aeterna” (com solistas: mezzo, tenor e baixo) e finalmente nos encaminhamos para o final triunfante. Sem pestanejar digo que o grande desafio foi o final, o famoso “Libera Me”. Saiu bem, por incrível que pareça! (diferente da noite anterior!). Terminava ali mais uma memorável apresentação. Foram meses de estudos e ensaios (às vezes até bem desgastantes). Um projeto que envolveu centenas de pessoas (cantores, instrumentistas, técnicos, organizadores...). Os aplausos ecoaram pelo Salão de Atos da PUC como uma benção divina. Deixamos o palco e fomos para o camarim festejar.
Fizemos um círculo onde dançamos e cantamos (ainda fantasiados de padres medievais). As meninas colocaram o babador branco na cabeça e cantaram “Lacrymosa” (parecia uma greve de empregadas domésticas). Fim de festa. Peguei carona com o Léo e a Loren e fui pra casinha (afinal, até Deus descansou no sétimo dia!).
E que Verdi também descanse em paz... “Requiem aeternam dona eis. Domine et lux perpetua luceat eis”. Amen PS – Afinal, era para devolver as partituras? Se era, só lamento. A minha eu não devolvo nem que a vaca tussa!
Ao chegar já pude perceber e ouvir gargalhadas que vinham de uma sala. Era, obviamente, o coro mais alegre do Brasil, o Coral da Procergs. Entrando no camarim que nos fora reservado, tive uma alegre surpresa ao ver a Adriana. Para quem não sabe, foi ela que me levou para fazer o teste na Procergs, ou seja, ela me pôs no mal caminho! Estava acompanhada de sua filha Giovana (aquela menininha que tocou a “flautinha” nas missões), que hoje está uma enorme mulher. A Adri registrou a apresentação em VHS.
Não deixamos de lembrar da palavra-chave da noite anterior: “MORS”. Na parte final de “Tuba Mirum”(do “Dies Irae”) o baixo solista, José Gallisa, entoa a palavra “MORS” (que quer dizer “morte” em latim) três vezes. Uma mais grotesca que a outra, como se realmente estivesse morrendo. Foi um momento marcante, talvez por isso tenha chamado a atenção de todos (fizemos até aquecimento com o “Mors”. Que horror!).
Ainda sobre os solistas, não poderia deixar de elogiar e citar aqui neste humilde texto o tenor Marcello Vannucci, a soprano Adriana de Almeida (mais tarde fiquei sabendo que ela é esposa do “Papa Gerling”. O Maestro tá com tudo!) e a mezzo soprano Regina Elena Mesquita (além do baixo “Zé”, já citado).
Nos posicionamos atrás do palco, nos demos as mãos e refizemos a oração do dia anterior. Fomos até o palco e ficamos exatamente nos lugares onde ensaiamos (Ufa! Desta vez não rolou “stress” com a tiazinha...). O salão de Atos não estava totalmente lotado, mas 70% dos lugares foram ocupados. O Maetro “papa Gerling” fez um sinal e a orquestra iniciou o “Requiem e Kyrie”.
Logo o momento (para mim) mais excitante e empolgante da noite “Dies Irae”. Ele fala no dia da ira, portanto é impactante a forma com que são tocados os instrumentos (principalmente o tímpano (o enorme tambor)). Neste momento tínhamos a impressão que o teatro desabaria sobre nossas cabeças. Foi forte mesmo!
Depois vieram “o “Tuba Mirum”, “Liber Scriptus”, “Quid Sum Miser” e o “Rex Tremendae” (em todos estes somos acompanhados pelos solistas). Logo chega a calmaria. O momento dos solos, ou seja, 20 minutos que ficamos parados sem poder sentar ou sequer tomar água.
As solistas (soprano e mezzo) fizeram o “Recordare”. O tenor cantou o “Ingemisco” e o baixo fechou com “Confutatis”. Eu, o Edemar, o Duda, o Léo e o Manuel nos esforçamos para não rir. Só lembro que quando chegou a hora do “MORS”. Coloquei a partitura no rosto para não enxergar ninguém. O Léo me disse depois que não podia olhar nenhum minuto para mim, pois tinha a certeza de que eu estaria rindo. Ah! Já ia me esquecendo. O Edemar tirou o sapato (É, ele coseguiu!). E o “Lênin” que estava em nossa frente deve ter sentido algum cheiro estranho e começou a olhar prá baixo, examinando pé por pé. O Edemar escondeu o sapato embaixo da batina preta e me perguntou baixinho: -“ Será que ele sentiu algum cheiro?” Não me contive. Usei a tática da partitura novamente e tapei minha cara.
Afora os imprevistos, depois do “Confutatis” voltamos a cantar “Lacrymosa” com todos os solistas. Na hora do “Offertorio”, mais alguns minutos parados. Só os solistas em ação. Voltamos com “Sanctus” (que é bábaro!) e passamos para “Agnus dei” com as solistas (soprano e mezzo).
Depois foi a vez de “Lux Aeterna” (com solistas: mezzo, tenor e baixo) e finalmente nos encaminhamos para o final triunfante. Sem pestanejar digo que o grande desafio foi o final, o famoso “Libera Me”. Saiu bem, por incrível que pareça! (diferente da noite anterior!). Terminava ali mais uma memorável apresentação. Foram meses de estudos e ensaios (às vezes até bem desgastantes). Um projeto que envolveu centenas de pessoas (cantores, instrumentistas, técnicos, organizadores...). Os aplausos ecoaram pelo Salão de Atos da PUC como uma benção divina. Deixamos o palco e fomos para o camarim festejar.
Fizemos um círculo onde dançamos e cantamos (ainda fantasiados de padres medievais). As meninas colocaram o babador branco na cabeça e cantaram “Lacrymosa” (parecia uma greve de empregadas domésticas). Fim de festa. Peguei carona com o Léo e a Loren e fui pra casinha (afinal, até Deus descansou no sétimo dia!).
E que Verdi também descanse em paz... “Requiem aeternam dona eis. Domine et lux perpetua luceat eis”. Amen PS – Afinal, era para devolver as partituras? Se era, só lamento. A minha eu não devolvo nem que a vaca tussa!
REQUIEM PARTE II - CATEDRAL
Era sábado. Dia 23 de Outubro de 2004. Excepcionalmente tive que trabalhar das 7:00 hs da manhã às 16:00 hs. Peguei carona (de Alvorada para Porto) até a casa da Mamma e da Dinda. No rádio o locutor narrava o primeiro gol do Grenal (e foi do Inter!). Ao descer do carro molhei-me um pouco com a chuva fina que caia naquela tarde. Pensava então: - “Será que com essa chuva o povo irá assistir a apresentação ou ficará em casa dormindo”?
Mamma, Dinda e eu jogamos um pouco de conversa fora (já que tínhamos de estar na Catedral somente às 18:30 hs). Aproveitei para tomar banho e trocar de roupa. Foi quando num intervalo de poucos minutos o Inter fazia mais dois gols (minha tarde estava alegre!). Pouco tempo depois, meu time ganhava o clássico por 3x1.
Chegamos na Catedral Metropolitana na hora marcada. Entramos pela Cúria, na rua Espírito Santo. Num enorme salão (que lembrava aqueles enormes castelos medievais) os coros se organizavam separadamente. Coloquei minha batina preta de microfibra (fiquei igual àqueles padres da época da inquisição...). Aquecemos e só pra variar cantamos pianissimamente “Glória da missa afro brasileira” sob o olhar atento de alguns componentes dos outros coros. Foi então que começou a tensão. Uma moça que aparentava um alto nível de stress tentou organizar as filas em ordem para a entrada no altar. Ela tentava. Ajeitava. Mas minutos depois desfazia tudo e recomeçava de novo:
- “Nesta fila tinha que ter cinco tenores, por que só tem três?”. E eu vou saber tiazinha...
Fizemos uma oração e iniciamos a trajetória rumo a batalha. Como estávamos em um nível abaixo da igreja (a Catedral fica no declive entre as ruas Duque de Caxias e Fernando Machado) tivemos que subir alguns lances de escada até o corredor que dava direto ao lado do altar. Parece fácil, mas imagine organizar um coral de 150 vozes e uma orquestra com mais de sessenta componentes!
Ao adentrarmos no recinto tamanha foi minha surpresa ao ver a Catedral Metropolitana totalmente lotada. A comunidade parecia estar bastante interessada em assistir a famosa missa em latim. Outra surpresa, para quem estava na última fila do tablado de madeira montado no altar, foi que estávamos literalmente em um “penhasco”. Não havia proteção alguma para quem estava no fundão. Se déssemos dois passos para trás certamente o estrago seria grandioso. Mas graças a Deus, não tivemos nenhuma catástrofe. Somente um susto, pois uma moça passou mal e sentou no tablado. A nossa “Lacraia” Genessi tratou de abaná-la com a partitura enquanto os solistas faziam suas exibições.
Como diz a música da Wanderléia: “Essa é uma prova de fogo...”, indubitavelmente cantar o “Requiem” foi uma prova de fogo, pois ficar em pé durante uma hora e meia não foi fácil (quando cheguei em casa coloquei os pés para cima!). Ainda mais naquela arquibancada que não parava de ranger. Foi um suplício. Uma verdadeira “Torre de Babel”. Agora imaginem se aquilo desmorona...
A apresentação chegava ao fim. Iniciávamos o “Libera me” loucos para sermos “liberados” de uma vez. Eu estava contando as últimas páginas da partitura. Quando acabou, a platéia ovacionou-nos com mais de um minuto de fervorosos aplausos (aplaudidos de pé em plena Catedral... Que beleza!). Mas a noite não acabou aí. Eu fui para uma festa de aniversário de um amigo e só consegui dormir lá pelas 3 hs da manhã (podre de cansado!). Tinha que descansar, pois no domingo faríamos tudo outra vez...
Mamma, Dinda e eu jogamos um pouco de conversa fora (já que tínhamos de estar na Catedral somente às 18:30 hs). Aproveitei para tomar banho e trocar de roupa. Foi quando num intervalo de poucos minutos o Inter fazia mais dois gols (minha tarde estava alegre!). Pouco tempo depois, meu time ganhava o clássico por 3x1.
Chegamos na Catedral Metropolitana na hora marcada. Entramos pela Cúria, na rua Espírito Santo. Num enorme salão (que lembrava aqueles enormes castelos medievais) os coros se organizavam separadamente. Coloquei minha batina preta de microfibra (fiquei igual àqueles padres da época da inquisição...). Aquecemos e só pra variar cantamos pianissimamente “Glória da missa afro brasileira” sob o olhar atento de alguns componentes dos outros coros. Foi então que começou a tensão. Uma moça que aparentava um alto nível de stress tentou organizar as filas em ordem para a entrada no altar. Ela tentava. Ajeitava. Mas minutos depois desfazia tudo e recomeçava de novo:
- “Nesta fila tinha que ter cinco tenores, por que só tem três?”. E eu vou saber tiazinha...
Fizemos uma oração e iniciamos a trajetória rumo a batalha. Como estávamos em um nível abaixo da igreja (a Catedral fica no declive entre as ruas Duque de Caxias e Fernando Machado) tivemos que subir alguns lances de escada até o corredor que dava direto ao lado do altar. Parece fácil, mas imagine organizar um coral de 150 vozes e uma orquestra com mais de sessenta componentes!
Ao adentrarmos no recinto tamanha foi minha surpresa ao ver a Catedral Metropolitana totalmente lotada. A comunidade parecia estar bastante interessada em assistir a famosa missa em latim. Outra surpresa, para quem estava na última fila do tablado de madeira montado no altar, foi que estávamos literalmente em um “penhasco”. Não havia proteção alguma para quem estava no fundão. Se déssemos dois passos para trás certamente o estrago seria grandioso. Mas graças a Deus, não tivemos nenhuma catástrofe. Somente um susto, pois uma moça passou mal e sentou no tablado. A nossa “Lacraia” Genessi tratou de abaná-la com a partitura enquanto os solistas faziam suas exibições.
Como diz a música da Wanderléia: “Essa é uma prova de fogo...”, indubitavelmente cantar o “Requiem” foi uma prova de fogo, pois ficar em pé durante uma hora e meia não foi fácil (quando cheguei em casa coloquei os pés para cima!). Ainda mais naquela arquibancada que não parava de ranger. Foi um suplício. Uma verdadeira “Torre de Babel”. Agora imaginem se aquilo desmorona...
A apresentação chegava ao fim. Iniciávamos o “Libera me” loucos para sermos “liberados” de uma vez. Eu estava contando as últimas páginas da partitura. Quando acabou, a platéia ovacionou-nos com mais de um minuto de fervorosos aplausos (aplaudidos de pé em plena Catedral... Que beleza!). Mas a noite não acabou aí. Eu fui para uma festa de aniversário de um amigo e só consegui dormir lá pelas 3 hs da manhã (podre de cansado!). Tinha que descansar, pois no domingo faríamos tudo outra vez...
REQUIEM PARTE I - ENSAIOS
Tudo começou em um dia normal de ensaio do Coral da Procergs. Até que o Manuel nos deu a notícia de um convite inusitado. Cantar a “Missa do Requiem” de Giuseppe Verdi. Seriam duas apresentações. A primeira no dia 23 de outubro (sábado) na Catedral Metropolitana e a segunda dia 24 (domingo) no Salão de Atos da PUC. Cantaríamos junto com a orquestra e o coral da PUC e também com o coral “Bocalis” de Gramado e coral da “UFSM” de Santa Maria. O evento faria parte dos Concertos Comunitários Zaffari, e nós teríamos que nos esforçar, pois o cachê seria dos bons.
Foram meses de estudos, audições, ensaios exclusivos e muita perseverança. Em um final de semana nos reunimos na casa da Mamma Glória e da Dinda Enoé para assistirmos o DVD do Requiem. Naquele dia tive o primeiro contato e pude perceber a dimensão do espetáculo. Certamente não seria fácil. Paralelamente aos ensaios do coro, o Manuel distribuiu-nos cds com os “midis” de cada voz (De tanto ouví-los posso dizer que absorvi tudo por “osmose”).
Para contar a saga destes ensaios que envolveram centenas de pessoas (contando cantores, instrumentistas e produção) precisamos entender a história do evento na qual participaríamos.
Requiem é uma missa totalmente composta em latim no século XIX pelo maestro italiano Giuseppe Verdi em homenagem ao aniversário de morte de outro maestro, Rossini. Ele é dividido da seguinte maneira:
I. REQUIEM e KYRIE; II. DIES IRAE (Dies Irae, Tuba Mirum, Liber Scriptus, Quid sum miser, Rex Tremendae, Recordare, Ingemisco, Confutatis e Lacrymosa); III. OFFERTORIO IV. SANCTUS V. AGNUS DEI VI. LUX AETERNA VII. LIBERA ME É sem dúvida uma obra prima da música sacra e nós tivemos o prazer de fazer parte de um pedacinho dessa história (sentiram a humildade!). Marcaram então o nosso primeiro ensaio coletivo para um determinado dia de setembro (e que acabou não acontecendo!). Fora transferido para o dia 12 de outubro (isso mesmo, feriado do dia da criança...) às 9:00 hs da manhã. O Coral da Procergs foi o primeiro a chegar naquele dia. Estranhamos o fato de não haver ninguém de outro coro. Até que uma senhora do coral da PUC chegou (10:00 hs) e disse que o ensaio havia sido marcado para às 10:30hs (Isso só acontece conosco!). De uma certa forma, todos chegaram cedinho e dispostos a ensaiar. A medida que os outros chegavam, nos organizávamos para tomar café da manhã, ali mesmo, nos bastidores do Salão de Atos da PUC.
O Maestro Frederico Gerling Júnior (que, aliás, parecia-se muito com o Papa João Paulo II) chegou bem humorado e improvisou exercícios de aquecimento vocal. Tinha um cantor que era a cara do “Max Fivelinha” da MTV. Aliás, havia muitas personalidades cantando conosco (No decorrer dos textos vocês saberão!).
O Papa Fred Gerling, pediu que iniciássemos desde a primeira parte do “Requiem e Kyrie”. Passamos toda a missa. Do “Requiem” ao “Libera me”. Só então às 12:30 hs fomos “liberados” para o almoço. E que almoço! Tiramos a barriga da miséria no R.U. da PUC. Com direito a refrigerante e sobremesa (Tudo de grátis!). Mais uma vez o Coral “Fat Family” atacou. Em uma hora e meia todos estavam visivelmente “satisfeitos” com a comilança geral.
Cantamos “Gaudêncio 7 Luas” (ali mesmo no R.U.). Depois o grupo “Bocalis” de Gramado puxou outra canção. Aliás, Edemar e eu fizemos amizade com os tenores de Gramado. Um deles era o próprio “Lênin” (líder revolucionário soviético).
Retornamos ao palco e o “Papa Fred” organizou a orquestra. Depois de afinar os instrumentos, retomamos novamente o ensaio desde a primeira página. A função continuou durante a toda à tarde. Tive que sair mais cedo, pois minha filha também merece um dia de princesa.
Cinco dias depois (17 de outubro/domingo à tarde) reunimo-nos novamente para o segundo ensaio. Posicionamento, avisos e acertos de figurino. A notícia mais impactante foi que cantaríamos todo o Requiem de pé. Sem direito a um descanso sequer. Passamos toda a missa, de cabo a rabo.
Dia 22 de outubro (sexta à noite). Nossa empreitada começava a se encaminhar para o final. Às 19:30hs (Já posicionados/ coro e orquestra) demos início ao último ensaio geral. Aquele pra botar pra fora todo o “stress” interior. Lavar a alma. Pois esse é sem dúvida uma dos momentos mais importantes antes de quaisquer apresentações. Foi um belo ensaio. Parecia que já estávamos cantando para o público. Não teve como não se arrepiar com essa obra que Verdi tivera a divina inspiração para escrever.
Toda a magia e o encanto das duas apresentações que pararam Porto Alegre (Sentiram a força do espetáculo!) você saberá através dos textos seguintes. Divirtam-se...
Foram meses de estudos, audições, ensaios exclusivos e muita perseverança. Em um final de semana nos reunimos na casa da Mamma Glória e da Dinda Enoé para assistirmos o DVD do Requiem. Naquele dia tive o primeiro contato e pude perceber a dimensão do espetáculo. Certamente não seria fácil. Paralelamente aos ensaios do coro, o Manuel distribuiu-nos cds com os “midis” de cada voz (De tanto ouví-los posso dizer que absorvi tudo por “osmose”).
Para contar a saga destes ensaios que envolveram centenas de pessoas (contando cantores, instrumentistas e produção) precisamos entender a história do evento na qual participaríamos.
Requiem é uma missa totalmente composta em latim no século XIX pelo maestro italiano Giuseppe Verdi em homenagem ao aniversário de morte de outro maestro, Rossini. Ele é dividido da seguinte maneira:
I. REQUIEM e KYRIE; II. DIES IRAE (Dies Irae, Tuba Mirum, Liber Scriptus, Quid sum miser, Rex Tremendae, Recordare, Ingemisco, Confutatis e Lacrymosa); III. OFFERTORIO IV. SANCTUS V. AGNUS DEI VI. LUX AETERNA VII. LIBERA ME É sem dúvida uma obra prima da música sacra e nós tivemos o prazer de fazer parte de um pedacinho dessa história (sentiram a humildade!). Marcaram então o nosso primeiro ensaio coletivo para um determinado dia de setembro (e que acabou não acontecendo!). Fora transferido para o dia 12 de outubro (isso mesmo, feriado do dia da criança...) às 9:00 hs da manhã. O Coral da Procergs foi o primeiro a chegar naquele dia. Estranhamos o fato de não haver ninguém de outro coro. Até que uma senhora do coral da PUC chegou (10:00 hs) e disse que o ensaio havia sido marcado para às 10:30hs (Isso só acontece conosco!). De uma certa forma, todos chegaram cedinho e dispostos a ensaiar. A medida que os outros chegavam, nos organizávamos para tomar café da manhã, ali mesmo, nos bastidores do Salão de Atos da PUC.
O Maestro Frederico Gerling Júnior (que, aliás, parecia-se muito com o Papa João Paulo II) chegou bem humorado e improvisou exercícios de aquecimento vocal. Tinha um cantor que era a cara do “Max Fivelinha” da MTV. Aliás, havia muitas personalidades cantando conosco (No decorrer dos textos vocês saberão!).
O Papa Fred Gerling, pediu que iniciássemos desde a primeira parte do “Requiem e Kyrie”. Passamos toda a missa. Do “Requiem” ao “Libera me”. Só então às 12:30 hs fomos “liberados” para o almoço. E que almoço! Tiramos a barriga da miséria no R.U. da PUC. Com direito a refrigerante e sobremesa (Tudo de grátis!). Mais uma vez o Coral “Fat Family” atacou. Em uma hora e meia todos estavam visivelmente “satisfeitos” com a comilança geral.
Cantamos “Gaudêncio 7 Luas” (ali mesmo no R.U.). Depois o grupo “Bocalis” de Gramado puxou outra canção. Aliás, Edemar e eu fizemos amizade com os tenores de Gramado. Um deles era o próprio “Lênin” (líder revolucionário soviético).
Retornamos ao palco e o “Papa Fred” organizou a orquestra. Depois de afinar os instrumentos, retomamos novamente o ensaio desde a primeira página. A função continuou durante a toda à tarde. Tive que sair mais cedo, pois minha filha também merece um dia de princesa.
Cinco dias depois (17 de outubro/domingo à tarde) reunimo-nos novamente para o segundo ensaio. Posicionamento, avisos e acertos de figurino. A notícia mais impactante foi que cantaríamos todo o Requiem de pé. Sem direito a um descanso sequer. Passamos toda a missa, de cabo a rabo.
Dia 22 de outubro (sexta à noite). Nossa empreitada começava a se encaminhar para o final. Às 19:30hs (Já posicionados/ coro e orquestra) demos início ao último ensaio geral. Aquele pra botar pra fora todo o “stress” interior. Lavar a alma. Pois esse é sem dúvida uma dos momentos mais importantes antes de quaisquer apresentações. Foi um belo ensaio. Parecia que já estávamos cantando para o público. Não teve como não se arrepiar com essa obra que Verdi tivera a divina inspiração para escrever.
Toda a magia e o encanto das duas apresentações que pararam Porto Alegre (Sentiram a força do espetáculo!) você saberá através dos textos seguintes. Divirtam-se...
O NASCIMENTO DE ANA CAROLINA
Quando completamos um ano de casados, Ana Paula me deu a notícia: "Márcio, estou grávida"!
Um misto de felicidade, emoção e muito choro foi o que ocorreu naquele momento. O fato de saber que você será PAI é uma coisa fantástica, simplesmente inexplicável.
Lembro de tudo. Da primeira ecografia, dos primeiros batimentos cardíacos, dos primeiros pontapés...
Segue abaixo um texto que escrevi logo depois o nascimento:
“Quando entrar setembro, e a boa nova andar nos campos...”. A canção “Sol de primavera”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, expressa claramente o sentimento de um pai a espera do filho que está para nascer. Só troquei o mês. Ao invés de setembro, dezembro.Dezembro certamente foi o mês mais “nervoso” da gestação. Na primeira visita à médica, depois que soubemos da gravidez da Ana, nos foi previsto por ela que o bebê nasceria até o dia 28 de dezembro de 2003, visto que Ana havia engravidado em fins de março. Pois bem, iniciou-se a maratona dos nove meses.
Com cinco meses, fizemos uma ecografia e já soubemos o sexo. Era uma menina. A notícia chegou com grande entusiasmo. Adoramos a idéia de termos uma “guriazinha” só para nós. Aparentemente a mais eufórica nessa história foi à vovó paterna (pois sempre quis ter uma menina e só ganhou dois meninos).
Iniciamos a pesquisa de nomes. Sem pestanejar a Ana disse: - “O que tu achas de Ana Carolina?” - “Bonito, mas o que será que quer dizer?” Fomos ao dicionário de significados de nomes e verificamos que “Ana” quer dizer “graça” e “Carolina” traduz-se por “menina, mulher”. Na mosca! Ana Carolina (“Menina cheia de graça”).
Tudo correu bem. Até que no final dos sete meses (final de outubro, início de novembro), a Ana Carolina começa a dar seus sinais. A Drª Luiza (obstetra da Ana) disse que a Ana Carolina já estava querendo nascer. Estava bem apressada. Foram receitados remédios para acalmar a guria (é que ela é minha filha, sabe, nervosinha, apressadinha!).
Até que chegamos em dezembro. No dia três (um dia antes do meu aniversário), nasce a Clara (filha do Francis e da Clarissa. Uma belezinha!). Quando soube, fiquei com mais vontade de ver a minha menininha. No dia 6 de dezembro viajei com o coro para Gramado. Cantaríamos a tarde e voltaríamos à noite. A Ana começou a sentir as primeiras contrações. Confesso que viajei com o coração na mão, com um “pé atrás”, imaginando mil coisas: - “Será que a minha filha vai nascer e eu não vou estar presente?” Coisas de pai de primeira viagem. Achei que com as primeiras dores a criança já nascia. Não é tão rápido assim. Na verdade, me assustei com a possibilidade de um nascimento repentino. Antes do previsto. Então desmarquei toda a agenda de apresentações de dezembro com a Procergs. Passei a dedicar-me exclusivamente às meninas. Fiquei uma “pilha” de tão nervoso.
Começamos as visitas aos hospitais. Passamos pelo São Lucas da Puc, pelo Fêmina e finalmente pela Santa Casa. No São Lucas foram duas visitas. Eles examinaram e mandaram voltar para casa, pois as contrações eram médias. Alguns dias se passaram. Procuramos então o Hospital Fêmina (no dia 26 à noite). A examinaram e disseram para ficarmos atentos, pois poderia ser para qualquer momento. Até que o natal chegou. A Ana dançou a noite inteira, tentando ajudar a filha a tomar coragem e vir logo. Nada.
Passamos do dia previsto pela doutora (28) e nada da moçoila vir ao mundo. Confesso que comecei a me preocupar. E o pior de tudo é que as contrações haviam diminuído. A Ana praticamente nem sentia dor (Mas a Ana Carolina estava muito bem. Mexia-se bastante). No dia 30 fomos à Santa Casa. O médico que a atendeu disse que estava tudo pronto para a mocinha nascer, mas achava estranho que quase não havia dilatação. Disse então que daria uma ajudinha para a Aninha criar coragem. Apertou, massageou, examinou e disse então para a Ana caminhar. Fomos para a casa e ela começou a maratona. Nada.
Até que na madrugada do dia 30 para o dia 31 começaram dores fortíssimas. Então, na manhã do dia 31, às 7:00 hs, a bolsa rebentou. Corremos para o hospital. Pensamos em ir para a Santa Casa, mas a Ana optou pelo Fêmina. Chegamos às 7:30 hs. Ela foi internada exatamente às 9:00 hs. Iniciava o dia mais agoniante da minha vida. Só fui comer algo às 15:00 hs. Aquele mal estar acompanhou-me durante toda à tarde. Na tv estava passando a Corrida de São Silvestre. O ano estava acabando e nada da minha filha chegar! Que angústia... Já pensava com meus botões: - “Se até agora ela não nasceu, só virá no ano que vem!” Às 19:30 hs, minha mãe e eu resolvemos trocar de lugar, pois estávamos aguardando no mesmo sofá há exatas doze horas. Estávamos exaustos. Fomos para o lado oposto do saguão. O hospital estava vazio. O plantão havia trocado meia hora antes. Estávamos “abandonados”.
Às 20:15 hs, a recepcionista finalmente anuncia: - “Familiares de Ana Paula”.Corremos ao guichê e a moça informou o que queríamos finalmente ouvir. A Ana Carolina havia nascido às 19:39 (+ ou – o horário que trocamos de lugar. Coincidência ou não?), de parto normal e que as duas estavam ótimas. Poderíamos vê-las depois de vinte minutos. Euforia total. Comecei a ligar para todo mundo, anunciando a boa nova.
A Carol nasceu medindo 48 cm e pesando 3,165 kg. Na avaliação da equipe médica ela ganhou nota 8,9. Não por ser minha filha, mas ela é muito linda! Ainda de quebra a enfermeira deixou-me passar a meia-noite com elas no quarto. Sem dúvida este foi o Reveillon mais especial que tive. Pela janela do sexto andar avistávamos os fogos de artifício das imediações da Avenida Independência. E certamente eles não eram somente para comemorar o reveillon. Eram também para saudar o nascimento da Carol.
E como diz aquele velho ditado: “Não basta ser pai, tem que participar”. Feliz Ano Novo...
Um misto de felicidade, emoção e muito choro foi o que ocorreu naquele momento. O fato de saber que você será PAI é uma coisa fantástica, simplesmente inexplicável.
Lembro de tudo. Da primeira ecografia, dos primeiros batimentos cardíacos, dos primeiros pontapés...
Segue abaixo um texto que escrevi logo depois o nascimento:
“Quando entrar setembro, e a boa nova andar nos campos...”. A canção “Sol de primavera”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, expressa claramente o sentimento de um pai a espera do filho que está para nascer. Só troquei o mês. Ao invés de setembro, dezembro.Dezembro certamente foi o mês mais “nervoso” da gestação. Na primeira visita à médica, depois que soubemos da gravidez da Ana, nos foi previsto por ela que o bebê nasceria até o dia 28 de dezembro de 2003, visto que Ana havia engravidado em fins de março. Pois bem, iniciou-se a maratona dos nove meses.
Com cinco meses, fizemos uma ecografia e já soubemos o sexo. Era uma menina. A notícia chegou com grande entusiasmo. Adoramos a idéia de termos uma “guriazinha” só para nós. Aparentemente a mais eufórica nessa história foi à vovó paterna (pois sempre quis ter uma menina e só ganhou dois meninos).
Iniciamos a pesquisa de nomes. Sem pestanejar a Ana disse: - “O que tu achas de Ana Carolina?” - “Bonito, mas o que será que quer dizer?” Fomos ao dicionário de significados de nomes e verificamos que “Ana” quer dizer “graça” e “Carolina” traduz-se por “menina, mulher”. Na mosca! Ana Carolina (“Menina cheia de graça”).
Tudo correu bem. Até que no final dos sete meses (final de outubro, início de novembro), a Ana Carolina começa a dar seus sinais. A Drª Luiza (obstetra da Ana) disse que a Ana Carolina já estava querendo nascer. Estava bem apressada. Foram receitados remédios para acalmar a guria (é que ela é minha filha, sabe, nervosinha, apressadinha!).
Até que chegamos em dezembro. No dia três (um dia antes do meu aniversário), nasce a Clara (filha do Francis e da Clarissa. Uma belezinha!). Quando soube, fiquei com mais vontade de ver a minha menininha. No dia 6 de dezembro viajei com o coro para Gramado. Cantaríamos a tarde e voltaríamos à noite. A Ana começou a sentir as primeiras contrações. Confesso que viajei com o coração na mão, com um “pé atrás”, imaginando mil coisas: - “Será que a minha filha vai nascer e eu não vou estar presente?” Coisas de pai de primeira viagem. Achei que com as primeiras dores a criança já nascia. Não é tão rápido assim. Na verdade, me assustei com a possibilidade de um nascimento repentino. Antes do previsto. Então desmarquei toda a agenda de apresentações de dezembro com a Procergs. Passei a dedicar-me exclusivamente às meninas. Fiquei uma “pilha” de tão nervoso.
Começamos as visitas aos hospitais. Passamos pelo São Lucas da Puc, pelo Fêmina e finalmente pela Santa Casa. No São Lucas foram duas visitas. Eles examinaram e mandaram voltar para casa, pois as contrações eram médias. Alguns dias se passaram. Procuramos então o Hospital Fêmina (no dia 26 à noite). A examinaram e disseram para ficarmos atentos, pois poderia ser para qualquer momento. Até que o natal chegou. A Ana dançou a noite inteira, tentando ajudar a filha a tomar coragem e vir logo. Nada.
Passamos do dia previsto pela doutora (28) e nada da moçoila vir ao mundo. Confesso que comecei a me preocupar. E o pior de tudo é que as contrações haviam diminuído. A Ana praticamente nem sentia dor (Mas a Ana Carolina estava muito bem. Mexia-se bastante). No dia 30 fomos à Santa Casa. O médico que a atendeu disse que estava tudo pronto para a mocinha nascer, mas achava estranho que quase não havia dilatação. Disse então que daria uma ajudinha para a Aninha criar coragem. Apertou, massageou, examinou e disse então para a Ana caminhar. Fomos para a casa e ela começou a maratona. Nada.
Até que na madrugada do dia 30 para o dia 31 começaram dores fortíssimas. Então, na manhã do dia 31, às 7:00 hs, a bolsa rebentou. Corremos para o hospital. Pensamos em ir para a Santa Casa, mas a Ana optou pelo Fêmina. Chegamos às 7:30 hs. Ela foi internada exatamente às 9:00 hs. Iniciava o dia mais agoniante da minha vida. Só fui comer algo às 15:00 hs. Aquele mal estar acompanhou-me durante toda à tarde. Na tv estava passando a Corrida de São Silvestre. O ano estava acabando e nada da minha filha chegar! Que angústia... Já pensava com meus botões: - “Se até agora ela não nasceu, só virá no ano que vem!” Às 19:30 hs, minha mãe e eu resolvemos trocar de lugar, pois estávamos aguardando no mesmo sofá há exatas doze horas. Estávamos exaustos. Fomos para o lado oposto do saguão. O hospital estava vazio. O plantão havia trocado meia hora antes. Estávamos “abandonados”.
Às 20:15 hs, a recepcionista finalmente anuncia: - “Familiares de Ana Paula”.Corremos ao guichê e a moça informou o que queríamos finalmente ouvir. A Ana Carolina havia nascido às 19:39 (+ ou – o horário que trocamos de lugar. Coincidência ou não?), de parto normal e que as duas estavam ótimas. Poderíamos vê-las depois de vinte minutos. Euforia total. Comecei a ligar para todo mundo, anunciando a boa nova.
A Carol nasceu medindo 48 cm e pesando 3,165 kg. Na avaliação da equipe médica ela ganhou nota 8,9. Não por ser minha filha, mas ela é muito linda! Ainda de quebra a enfermeira deixou-me passar a meia-noite com elas no quarto. Sem dúvida este foi o Reveillon mais especial que tive. Pela janela do sexto andar avistávamos os fogos de artifício das imediações da Avenida Independência. E certamente eles não eram somente para comemorar o reveillon. Eram também para saudar o nascimento da Carol.
E como diz aquele velho ditado: “Não basta ser pai, tem que participar”. Feliz Ano Novo...
O CASAMENTO COM MINHA MELHOR AMIGA!
Depois de anos juntos, Ana e eu resolvemos noivar. Naquele momento vi que a coisa estava mais séria do que imaginava. Noivado era o primeiro passo para um casamento.
Ana havia saido de casa para morar comigo (na casa dos meus pais). Vivíamos num clima de romance. Começamos a comprar utensílios para o lar. Quem diria, eu comprando utensílios para a minha casa!
Lembro que a primeira coisa que comprei foi um ferro de passar roupa. Juntos fomos a uma loja e escolhemos um fogão. Logo depois veio a geladeira. A sala da minha mãe já estava intransitável.
Um ano se passou e marcamos a data do casamento. Seria no dia 17 de maio de 2001, só no civil, pois a igreja estava cobrando os olhos da cara (mais arranjos, padre, salão...).
Faltando um mês para o casório, nós alugamos uma mini-casa na mesma rua onde morávamos. Foi tudo escondido, pois minha mãe achava que iríamos morar na casa dela.
A casinha era uma espécie de JK (aqueles micro apartamentos). Tinha um quarto, um banheiro, sala/cozinha (juntos) e uma área de serviço. Para duas pessoas estava ótimo, e o aluguel estava em conta.
O pessoal do trabalho fez uma "vaquinha" e com a grana compraram um edredon, uma batedeira e um liquidificador. Minha madrinha Jô me deu uma TV e assim fomos montando nossa casinha.
Dia 17 de maio de 2001 casamos no civil. Para minha surpresa, Ana apareceu no cartório vestida de noiva e com buquê na mão. Foi tudo maravilhoso. Casamos à tarde e a noite fomos recepcionar os convidados em um restaurante.
O restaurante Ravena, no bairro Menino Deus, foi palco dessa festa. Outra surpresa: 95% dos convidados compareceram, o que nos levou a crer que somos muito bem quistos por todos. O salão ficou lotado. O Coral Porcergs nos homenageou e cantou várias canções.
Foi uma noite inesquecível. Depois de três anos, acabei casando com minha melhor amiga!
Ana havia saido de casa para morar comigo (na casa dos meus pais). Vivíamos num clima de romance. Começamos a comprar utensílios para o lar. Quem diria, eu comprando utensílios para a minha casa!
Lembro que a primeira coisa que comprei foi um ferro de passar roupa. Juntos fomos a uma loja e escolhemos um fogão. Logo depois veio a geladeira. A sala da minha mãe já estava intransitável.
Um ano se passou e marcamos a data do casamento. Seria no dia 17 de maio de 2001, só no civil, pois a igreja estava cobrando os olhos da cara (mais arranjos, padre, salão...).
Faltando um mês para o casório, nós alugamos uma mini-casa na mesma rua onde morávamos. Foi tudo escondido, pois minha mãe achava que iríamos morar na casa dela.
A casinha era uma espécie de JK (aqueles micro apartamentos). Tinha um quarto, um banheiro, sala/cozinha (juntos) e uma área de serviço. Para duas pessoas estava ótimo, e o aluguel estava em conta.
O pessoal do trabalho fez uma "vaquinha" e com a grana compraram um edredon, uma batedeira e um liquidificador. Minha madrinha Jô me deu uma TV e assim fomos montando nossa casinha.
Dia 17 de maio de 2001 casamos no civil. Para minha surpresa, Ana apareceu no cartório vestida de noiva e com buquê na mão. Foi tudo maravilhoso. Casamos à tarde e a noite fomos recepcionar os convidados em um restaurante.
O restaurante Ravena, no bairro Menino Deus, foi palco dessa festa. Outra surpresa: 95% dos convidados compareceram, o que nos levou a crer que somos muito bem quistos por todos. O salão ficou lotado. O Coral Porcergs nos homenageou e cantou várias canções.
Foi uma noite inesquecível. Depois de três anos, acabei casando com minha melhor amiga!
COMUNICAÇÃO SOCIAL
Eu havia terminado o segundo grau. Tinha me tornado técnico em Edificações. Mas não era só isso que realmente eu queria. Queria estudar mais.
Fazia canto coral, trabalhava num 0800, mas faltava estudar. Me inscrevi num cursinho intensivo e mandei bala. Precisava achar um rumo para minha vida profissional. Meu gosto pelas letras e pela literatura me fez optar por algo nessa linha. Escolhi Jornalismo, pois misturava tudo o que eu gostava: Ler, escrever, contar, gravar, falar...
Depois de meses intensos de estudos (na real eu estudava só aquilo que me interessava: Português, literatura, espanhol, história e geografia), chegava a hora de fazer o vestibular.
Fiz a inscrição em duas Universidades: Feevale e Unisinos. Como era vestibular de inverno não fiz para a UFRGS, pois minha vontade de entrar na faculdade era maior.
Primeiro fiz Feevale. Na semana seguinte Unisinos. O fato de eu ter "comido" o conteúdo das materias que citei, me fez forte candidato. Mas o que me preocupava era as matérias que eu odiava (matemática, física e química). Não podia zerar nenhuma prova.
Quando saiu o resultado da Feevale, nem acreditei. Passei no meu primeiro vestibular. Meus pais trataram logo de fazer uma faixa enorme com meu nome escrito e abaixo o nome do curso: JORNALISMO. No dia da matrícula da Feevale, sairia o resultado da Unisinos, o que me fez aguardar o listão.
Quando li meu nome no jornal, não acreditei. Passei no meu segundo vestibular. Agora eu tinha duas opções: Feevale ou Unisinos? Por ter o melhor acesso (metrô) escolhi a Unisinos em são Leopoldo. A Feevale ficava em Novo Hamburgo (um pouco mais longe) e o acesso era somente por ônibus. Em matéria de preços, as duas se igualavam... Bastante caras!
Iniciei o curso imediatamente. Um universo diferente de tudo o que vi até então. A faculdade era fantástica, mas ao mesmo tempo melancólica. Aquela aproximação que temos na escola inexiste na universidade. Lá é cada um por si, Deus por todos. Todo mundo competindo para ver quem faz o melhor trabalho, quem apresenta a melhor tese, quem faz a melhor reportagem...
Me senti ilhado. Demorei para me acostumar.
Só no segundo semestre entendi o "X" da questão. Iniciei minhas aulas de Radiojornalismo. Me apaixonei pela cadeira. Primeiro vi toda a teoria do rádio (do Padre Landell de Moura até os dias de hoje) com a professora Patrícia Webber. Em radiojornalismo I fiz toda a parte prática com o professor Sérgio Endler. Locução e redação foram amor a primeira vista. Gravava programas de rádio, fazia laudas e tinha muito contato com a internet.
Foram anos de grande valia. Acabei me rendendo a Comunicação social.
Fazia canto coral, trabalhava num 0800, mas faltava estudar. Me inscrevi num cursinho intensivo e mandei bala. Precisava achar um rumo para minha vida profissional. Meu gosto pelas letras e pela literatura me fez optar por algo nessa linha. Escolhi Jornalismo, pois misturava tudo o que eu gostava: Ler, escrever, contar, gravar, falar...
Depois de meses intensos de estudos (na real eu estudava só aquilo que me interessava: Português, literatura, espanhol, história e geografia), chegava a hora de fazer o vestibular.
Fiz a inscrição em duas Universidades: Feevale e Unisinos. Como era vestibular de inverno não fiz para a UFRGS, pois minha vontade de entrar na faculdade era maior.
Primeiro fiz Feevale. Na semana seguinte Unisinos. O fato de eu ter "comido" o conteúdo das materias que citei, me fez forte candidato. Mas o que me preocupava era as matérias que eu odiava (matemática, física e química). Não podia zerar nenhuma prova.
Quando saiu o resultado da Feevale, nem acreditei. Passei no meu primeiro vestibular. Meus pais trataram logo de fazer uma faixa enorme com meu nome escrito e abaixo o nome do curso: JORNALISMO. No dia da matrícula da Feevale, sairia o resultado da Unisinos, o que me fez aguardar o listão.
Quando li meu nome no jornal, não acreditei. Passei no meu segundo vestibular. Agora eu tinha duas opções: Feevale ou Unisinos? Por ter o melhor acesso (metrô) escolhi a Unisinos em são Leopoldo. A Feevale ficava em Novo Hamburgo (um pouco mais longe) e o acesso era somente por ônibus. Em matéria de preços, as duas se igualavam... Bastante caras!
Iniciei o curso imediatamente. Um universo diferente de tudo o que vi até então. A faculdade era fantástica, mas ao mesmo tempo melancólica. Aquela aproximação que temos na escola inexiste na universidade. Lá é cada um por si, Deus por todos. Todo mundo competindo para ver quem faz o melhor trabalho, quem apresenta a melhor tese, quem faz a melhor reportagem...
Me senti ilhado. Demorei para me acostumar.
Só no segundo semestre entendi o "X" da questão. Iniciei minhas aulas de Radiojornalismo. Me apaixonei pela cadeira. Primeiro vi toda a teoria do rádio (do Padre Landell de Moura até os dias de hoje) com a professora Patrícia Webber. Em radiojornalismo I fiz toda a parte prática com o professor Sérgio Endler. Locução e redação foram amor a primeira vista. Gravava programas de rádio, fazia laudas e tinha muito contato com a internet.
Foram anos de grande valia. Acabei me rendendo a Comunicação social.
NÃO ADIANTOU, NÃO LARGUEI A MÚSICA!
Fiquei muito abalado com o fim da banda. Afinal, todo mundo quando me via, me encontrava, perguntava como andavam os ensaios. Foi um momento muito difícil.
No finalzinho de 1999, arranjei um emprego de teleoperador de telemarketing. Trabalhava para a Celular CRT (que depois virou Telefônica Celular e depois Vivo). Foi o auge da telefonia móvel. Nessa época a cada 500 pessoas, só uma possuia telefone celular. Era artigo de luxo, e quem tinha era visto como importante (altos executivos, empresários, etc).
Para falar com o cliente, tínhamos que adotar métodos onde de forma alguma poderíamos falar gírias ou de modo coloquial. Ali aprendi a ter boa dicção e oratória.
Nesse emprego conheci muita gente boa (nem vale citar, pois certamente iria esquecer alguém). Mas uma pessoa em especial me fez um convite. Era a Adriana Pimentel. Ela soube que eu gostava de cantar e tocar violão, então me convidou para fazer um teste no Coral da Procergs. de imediato repudiei a idéia. Disse que não era a minha praia. Eu achava que canto coral destinava-se exclusivamente a temas religiosos, sacros e eruditos. Notava-se que eu não entendia bulhufas de canto coral.
Adriana tanto insistiu que acabei indo ao teste vocal. Estávamos no ano 2000. Era março e o verão estava chegando ao final. Ao chegar no auditório do Centro Administrativo do Estado do RGS (CAERGS), Adriana já me apresentou ao pessoal dizendo que eu já cantava há tempos. Fiz o teste com um Rapaz recém chegado do Mato Grosso do Sul. Francis Padilha havia entrado na faculdade de música da UFRGS e trabalhava como preparador vocal junto com o Regente Manuel Figueiredo de Abreu. Fiz o teste e passei como Barítono. E eu lá sabia o que era Barítono? Francis me explicou que as vozes eram classificadas assim:
BAIXO - Voz masculina grave;
BARÍTONO - Voz masculina intermediária entre grave e agudo;
TENOR - Voz masculina aguda;
CONTRALTO - Voz feminina grave;
MEZZO-SOPRANO - Voz feminina intermediária entre grave e agudo;
SOPRANO - Voz feminina aguda.
Depois dessa explicação, e com a idéia de ser barítono, o pessoal me fez sentir em casa e eu acabei aceitando experimentar o canto coral. Já se vão sete anos que canto no Coro da Procergs. E eu continuo experimentando e gostando do canto coral.
Não adianta, não larguei a música... Graças a Deus!
No finalzinho de 1999, arranjei um emprego de teleoperador de telemarketing. Trabalhava para a Celular CRT (que depois virou Telefônica Celular e depois Vivo). Foi o auge da telefonia móvel. Nessa época a cada 500 pessoas, só uma possuia telefone celular. Era artigo de luxo, e quem tinha era visto como importante (altos executivos, empresários, etc).
Para falar com o cliente, tínhamos que adotar métodos onde de forma alguma poderíamos falar gírias ou de modo coloquial. Ali aprendi a ter boa dicção e oratória.
Nesse emprego conheci muita gente boa (nem vale citar, pois certamente iria esquecer alguém). Mas uma pessoa em especial me fez um convite. Era a Adriana Pimentel. Ela soube que eu gostava de cantar e tocar violão, então me convidou para fazer um teste no Coral da Procergs. de imediato repudiei a idéia. Disse que não era a minha praia. Eu achava que canto coral destinava-se exclusivamente a temas religiosos, sacros e eruditos. Notava-se que eu não entendia bulhufas de canto coral.
Adriana tanto insistiu que acabei indo ao teste vocal. Estávamos no ano 2000. Era março e o verão estava chegando ao final. Ao chegar no auditório do Centro Administrativo do Estado do RGS (CAERGS), Adriana já me apresentou ao pessoal dizendo que eu já cantava há tempos. Fiz o teste com um Rapaz recém chegado do Mato Grosso do Sul. Francis Padilha havia entrado na faculdade de música da UFRGS e trabalhava como preparador vocal junto com o Regente Manuel Figueiredo de Abreu. Fiz o teste e passei como Barítono. E eu lá sabia o que era Barítono? Francis me explicou que as vozes eram classificadas assim:
BAIXO - Voz masculina grave;
BARÍTONO - Voz masculina intermediária entre grave e agudo;
TENOR - Voz masculina aguda;
CONTRALTO - Voz feminina grave;
MEZZO-SOPRANO - Voz feminina intermediária entre grave e agudo;
SOPRANO - Voz feminina aguda.
Depois dessa explicação, e com a idéia de ser barítono, o pessoal me fez sentir em casa e eu acabei aceitando experimentar o canto coral. Já se vão sete anos que canto no Coro da Procergs. E eu continuo experimentando e gostando do canto coral.
Não adianta, não larguei a música... Graças a Deus!
BANDA INCÓGNITA: ASCENSÃO E QUEDA
Dois anos foi o tempo de vida da Banda Incógnita. Mas esses dois anos deram o que falar.
Com a vitória de "Para aqueles que não sonham" no 1° Festival de Música de Porto Alegre, tomamos fôlego e resolvemos tocar essa carreira adiante.
Participamos de alguns programas de TV e rádio e nos inscrevemos em outros festivais. Naquele ano participamos do FESTIPA no Bar Opinião. Ganhamos o prêmio de melhor banda. Alemão Ronaldo da Bandaliera era um dos jurados.
No fim do ano participamos da grande finalíssima do Festival de Música de POA no Auditório Araújo Vianna. Bezerra da Silva e Edu Lobo fizeram os shows de abertura.
Nós ganhamos uma faixa no cd do festival. "Para aqueles que não sonham" foi gravada no estúdio "B" da gravadora ACIT em POA. O pai do Cleiton, o saudoso Sr. Jesus, construiu um estúdio no porão da churrasqueira dele no bairro Partenon.
Parecia um sonho. Até que Bianca resolveu deixar a banda.
Levamos a "Incógnita" (que depois passou a se chamar "Feeling") por mais um ano. Luciano e eu assumimos os vocais. Incluímos algumas canções de minha autoria no repertório. "Por aí" (Que compus para a Ana), foi classificada para o 2° Festival de Música de POA e levou o 2° lugar.
O prêmio que ganhamos foi fazer um show com cachê. O show foi na comunidade de Rincão (próximo ao bairro de Belém Velho), e ironicamente foi o último show que fizemos.
Valeu a pena, isso eu tenho certeza!
Com a vitória de "Para aqueles que não sonham" no 1° Festival de Música de Porto Alegre, tomamos fôlego e resolvemos tocar essa carreira adiante.
Participamos de alguns programas de TV e rádio e nos inscrevemos em outros festivais. Naquele ano participamos do FESTIPA no Bar Opinião. Ganhamos o prêmio de melhor banda. Alemão Ronaldo da Bandaliera era um dos jurados.
No fim do ano participamos da grande finalíssima do Festival de Música de POA no Auditório Araújo Vianna. Bezerra da Silva e Edu Lobo fizeram os shows de abertura.
Nós ganhamos uma faixa no cd do festival. "Para aqueles que não sonham" foi gravada no estúdio "B" da gravadora ACIT em POA. O pai do Cleiton, o saudoso Sr. Jesus, construiu um estúdio no porão da churrasqueira dele no bairro Partenon.
Parecia um sonho. Até que Bianca resolveu deixar a banda.
Levamos a "Incógnita" (que depois passou a se chamar "Feeling") por mais um ano. Luciano e eu assumimos os vocais. Incluímos algumas canções de minha autoria no repertório. "Por aí" (Que compus para a Ana), foi classificada para o 2° Festival de Música de POA e levou o 2° lugar.
O prêmio que ganhamos foi fazer um show com cachê. O show foi na comunidade de Rincão (próximo ao bairro de Belém Velho), e ironicamente foi o último show que fizemos.
Valeu a pena, isso eu tenho certeza!
1998: A ERA DE OURO!
Indubtavelmente, 1998 foi um ano de muita movimentação em minha vida (amorosa e musical).
Foi em 98 que conheci minha metade. Ana Paula me foi apresentada por Bianca Fachel, que era sua vizinha de porta. Ana passou a freqüentar o Parobé dizendo que ia falar com a Bianca, mas na real ela ia me ver. Começamos a "ficar", e logo isso acabou em namoro. Hoje somos casados e temos uma filha chamada Ana Carolina, uma jóia que Deus mandou.
Foi também em 98 que me descobri músico. Das rodas de viola do Parobé, para os estúdios e palcos.
Bianca me convidou para cantar em uma banda (fazendo backing vocal e tocando violão). A banda estava em formação e em uma constante mutação de gêneros. Lá conheci os primos Cleiton, Flávio e Rodrigo Castilhos e um amigo deles chamado Luciano Hertel.
Cleiton tocava contrabaixo, Flávio bateria, Rodrigo guitarra, Luciano cantava e fazia backing e a Bianca cantava e tocava violão. No princípio achei que era muita gente cantando (e eu chegando pra cantar também!). Confesso que fiquei meio perdido, mas afirmo que comecei a gostar daquilo.
Foi ali que iniciei minha fase de composição. Escrevia de tudo, e em qualquer lugar. Quando eu menos esperava estava sentado no ônibus escrevendo. Compus várias canções assim, no ônibus indo (ou voltando) da escola.
Neste ano a Banda "Incógnita" estourou. Bianca fez duas letras muito boas e elas foram selecionadas para o 1° Festival de Música de Porto Alegre. "Não leve a mal" e "Para aqueles que não sonham" foram arranjadas em conjunto pela banda e fizeram sucesso no CECOPAM. "Para aqueles que não sonham" levou o 1° lugar, e com isso a banda começou a fazer sucesso na cidade.
Foi em 98 que conheci minha metade. Ana Paula me foi apresentada por Bianca Fachel, que era sua vizinha de porta. Ana passou a freqüentar o Parobé dizendo que ia falar com a Bianca, mas na real ela ia me ver. Começamos a "ficar", e logo isso acabou em namoro. Hoje somos casados e temos uma filha chamada Ana Carolina, uma jóia que Deus mandou.
Foi também em 98 que me descobri músico. Das rodas de viola do Parobé, para os estúdios e palcos.
Bianca me convidou para cantar em uma banda (fazendo backing vocal e tocando violão). A banda estava em formação e em uma constante mutação de gêneros. Lá conheci os primos Cleiton, Flávio e Rodrigo Castilhos e um amigo deles chamado Luciano Hertel.
Cleiton tocava contrabaixo, Flávio bateria, Rodrigo guitarra, Luciano cantava e fazia backing e a Bianca cantava e tocava violão. No princípio achei que era muita gente cantando (e eu chegando pra cantar também!). Confesso que fiquei meio perdido, mas afirmo que comecei a gostar daquilo.
Foi ali que iniciei minha fase de composição. Escrevia de tudo, e em qualquer lugar. Quando eu menos esperava estava sentado no ônibus escrevendo. Compus várias canções assim, no ônibus indo (ou voltando) da escola.
Neste ano a Banda "Incógnita" estourou. Bianca fez duas letras muito boas e elas foram selecionadas para o 1° Festival de Música de Porto Alegre. "Não leve a mal" e "Para aqueles que não sonham" foram arranjadas em conjunto pela banda e fizeram sucesso no CECOPAM. "Para aqueles que não sonham" levou o 1° lugar, e com isso a banda começou a fazer sucesso na cidade.
ESCOLA PAROBÉ: A PROVA DE FOGO!
Eu ensaiava bastante. Já podia contabilizar uma lista de mais de vinte acordes aprendidos. Confesso que o difícil mesmo eram as malditas "pestanas".
Passei para o segundo grau. Fui estudar na Escola Técnica Parobé em Porto Alegre. A princípio passei na prova de seleção para o curso de Eletrônica (o que mais tarde acabei trocando para Edificações).
Foi no curso de edificações que literalmente chutei o balde. Levava o violão para a escola e ao invés de estudar, matava as aulas e ficava no pátio em rodinhas improvisadas, tocando violão e cantando com o pessoal. Foi numa dessas rodas de viola que conheci Bianca Fachel. Uma menina baixinha, gordinha e bastante popular no colégio. Era conhecida como a "Baixinha do violão". Ela tocava e cantava muito bem. Não tinha como não se aproximar.
Um dia, ela chegou na roda de viola e me disse: "Tu sabe tocar Na estrada da Marisa Monte"? Eu disse: "Sei". "Então toca ai que eu canto". Foi ai que iniciamos uma amizade extremamente musical. Todo dia a gente cantava uma canção diferente. Fui me soltando e começando a fazer tímidos backing vocals. Ela me incentivou bastante. Então cantamos uma música em dueto: "Flores" dos Titãs.
A galera gostou tanto que pediam músicas todos os dias. Por insistência do público, fomos cantar no Bar do Jerry (que ficava dentro da escola). Todo dia tinha show de Márcio e Bianca. O que não ia bem nessa época eram as notas de matemética, física e química. Lembro que minha mãe ficou uma arara comigo pois eu só queria saber de tocar violão e nada de estudar.
Tudo fase. Por pior que eu estivesse, sempre passava de ano. E a música sempre conquistando um enorme espaço na minha vida...
Passei para o segundo grau. Fui estudar na Escola Técnica Parobé em Porto Alegre. A princípio passei na prova de seleção para o curso de Eletrônica (o que mais tarde acabei trocando para Edificações).
Foi no curso de edificações que literalmente chutei o balde. Levava o violão para a escola e ao invés de estudar, matava as aulas e ficava no pátio em rodinhas improvisadas, tocando violão e cantando com o pessoal. Foi numa dessas rodas de viola que conheci Bianca Fachel. Uma menina baixinha, gordinha e bastante popular no colégio. Era conhecida como a "Baixinha do violão". Ela tocava e cantava muito bem. Não tinha como não se aproximar.
Um dia, ela chegou na roda de viola e me disse: "Tu sabe tocar Na estrada da Marisa Monte"? Eu disse: "Sei". "Então toca ai que eu canto". Foi ai que iniciamos uma amizade extremamente musical. Todo dia a gente cantava uma canção diferente. Fui me soltando e começando a fazer tímidos backing vocals. Ela me incentivou bastante. Então cantamos uma música em dueto: "Flores" dos Titãs.
A galera gostou tanto que pediam músicas todos os dias. Por insistência do público, fomos cantar no Bar do Jerry (que ficava dentro da escola). Todo dia tinha show de Márcio e Bianca. O que não ia bem nessa época eram as notas de matemética, física e química. Lembro que minha mãe ficou uma arara comigo pois eu só queria saber de tocar violão e nada de estudar.
Tudo fase. Por pior que eu estivesse, sempre passava de ano. E a música sempre conquistando um enorme espaço na minha vida...
CANTAR E CANTAR E CANTAR
Um passo importante eu já havia dado. Aprender a tocar violão era muito difícil. Mas eu já arranhava algumas músicas. Mas faltava algo. Era vazio, solitário demais. Via então o Caetano Veloso, o Gilberto Gil na TV tocando aqueles violões com maestria e cantando muito naturalmente. Fiquei muito a fim de cantar, mas a timidez atrapalhava.
Lembro que foi o ano que freqüentei um grupo de terapia. Uma psicóloga fazia perguntas sobre nossas vidas e as pessoas tinham que falar. Mas o simplesmente "falar" era difícil para aquelas pessoas. Então eu via que eu podia, que eu conseguia, então eu era sempre o primeiro a iniciar os debates. E a psicóloga sempre anotando tudo.
Três semanas se passaram e ela disse: "Márcio, o que te angustia"? eu respondi que eu queria aprender a cantar, mas isso era uma coisa muito difícil para mim. Disse que já estava aprendendo a tocar violão, mas queria algo mais. Eu era um garoto de dezesseis anos, todo grilado com a vida e com as pessoas. Tinha medo de me expressar, de ser vaiado, ignorado, sei lá.
A psicóloga me chamou para conversar a sós e disse que eu não tinha nada de errado. No meio de todos aqueles adolescentes eu era o que sempre dava o pontapé inicial nas conversas. "Coragem você tem", disse ela. Você está liberado das sessões, há muita gente precisando mais do que você Márcio. segue em frente e me promete uma coisa, lute sempre pelos seus objetivos".
Naquele dia sai do consultório feliz e ao mesmo tempo pensativo. Queria a todo custo aprender a cantar, pois pelo canto eu me desinibiria e me sentiria melhor. Fui pra casa cantarolando, tentando encaixar letras nas melodias que eprendera ao violão.
Ao chegar em casa, meu pai me esperava com um presente. Um vinil da Elis Regina. Um long play chamado "Elis canta Milton". Meu pai disse: "Essa cantava muito. Ouça e me diga depois". O pai estava certo. Me apaixonei na hora. Ela cantava pra fora, alto, não tinha medo.
Me convenci que cantar era manifestar o estado de espírito. Era pôr pra fora coisas que encomodavam. Era expulsar os demônios que atrapalhavam minha juventude. Então comecei a cantar sozinho, pra mim mesmo. Primeiro eu tinha que me descobrir cantor, para depois mostrar aos outros...
Lembro que foi o ano que freqüentei um grupo de terapia. Uma psicóloga fazia perguntas sobre nossas vidas e as pessoas tinham que falar. Mas o simplesmente "falar" era difícil para aquelas pessoas. Então eu via que eu podia, que eu conseguia, então eu era sempre o primeiro a iniciar os debates. E a psicóloga sempre anotando tudo.
Três semanas se passaram e ela disse: "Márcio, o que te angustia"? eu respondi que eu queria aprender a cantar, mas isso era uma coisa muito difícil para mim. Disse que já estava aprendendo a tocar violão, mas queria algo mais. Eu era um garoto de dezesseis anos, todo grilado com a vida e com as pessoas. Tinha medo de me expressar, de ser vaiado, ignorado, sei lá.
A psicóloga me chamou para conversar a sós e disse que eu não tinha nada de errado. No meio de todos aqueles adolescentes eu era o que sempre dava o pontapé inicial nas conversas. "Coragem você tem", disse ela. Você está liberado das sessões, há muita gente precisando mais do que você Márcio. segue em frente e me promete uma coisa, lute sempre pelos seus objetivos".
Naquele dia sai do consultório feliz e ao mesmo tempo pensativo. Queria a todo custo aprender a cantar, pois pelo canto eu me desinibiria e me sentiria melhor. Fui pra casa cantarolando, tentando encaixar letras nas melodias que eprendera ao violão.
Ao chegar em casa, meu pai me esperava com um presente. Um vinil da Elis Regina. Um long play chamado "Elis canta Milton". Meu pai disse: "Essa cantava muito. Ouça e me diga depois". O pai estava certo. Me apaixonei na hora. Ela cantava pra fora, alto, não tinha medo.
Me convenci que cantar era manifestar o estado de espírito. Era pôr pra fora coisas que encomodavam. Era expulsar os demônios que atrapalhavam minha juventude. Então comecei a cantar sozinho, pra mim mesmo. Primeiro eu tinha que me descobrir cantor, para depois mostrar aos outros...
COMO TUDO COMEÇOU...
O ano era 1995. Eu já estava nos meus tenros 16 anos. Tempo de descobertas, anseios, adolescência a mil. Momento de fazer amizades, sair pra balada, começar a ter responsabilidades.
Minha mãe um dia me perguntou se eu queria um violão. Era usado, não tinha todas as cordas e estava jogado num canto. Eu mal sabia o que era um violão. Ela então o trouxe. Ganhara de uma amiga, a querida Professora Tânia Monteiro. Era de seu filho, e há muito estava esquecido debaixo de uma cama. Quisera se desfazer.
Aceitei o presente, mas confesso que muitas vezes pensei: "o que vou fazer com isso"? O velho violão acabou num canto do meu quarto, virando alvo das mãos de meu irmão e meus primos pequenos, que entravam em meu quarto já mexendo em tudo.
Eu tinha dois vizinhos: "Rose" e "Daniel". Eram irmãos e sempre saiam com seus violões a tiracolo. Um dia perguntei se eles faziam aula. Disseram que sim, e o melhor de tudo, era de graça.
Peguei o violão, passei no primeiro armazém e comprei um jogo novinho de cordas de aço "Sabiá". A Rose e o Daniel me levaram até o CECOPAM, um centro comunitário próximo de casa e me apresentaram ao Professor Paulo Mariano. Havia mais ou menos umas 15 pessoas sentadas na pequena sala afinando seus violões. O Professor Mariano então me disse: "Filho, para aprender a tocar violão, você deve praticar em casa pelo menos uma hora por dia. É cansativo, mas sem ensaio não adianta'.
Mariano dava uma folha com uma determinada música (três acordes no máximo), ensinava os acordes e as batidas e mandava treinar em casa. O resto era conosco. Passaram-se minutos, horas, dias... Quando completei um mês tendo aulas no centro comunitário, finalmente consegui tocar a minha primeira canção: "Debaixo dos caracóis do seus cabelos" do Roberto Carlos. Reuni uma pequena platéia (minha mãe, meu irmão e meu saudoso avô) para ouvirem essa "pérola". Claro que só toquei a música. Cantar já ficava complicado, pois tamanha era minha timidez...
Minha mãe um dia me perguntou se eu queria um violão. Era usado, não tinha todas as cordas e estava jogado num canto. Eu mal sabia o que era um violão. Ela então o trouxe. Ganhara de uma amiga, a querida Professora Tânia Monteiro. Era de seu filho, e há muito estava esquecido debaixo de uma cama. Quisera se desfazer.
Aceitei o presente, mas confesso que muitas vezes pensei: "o que vou fazer com isso"? O velho violão acabou num canto do meu quarto, virando alvo das mãos de meu irmão e meus primos pequenos, que entravam em meu quarto já mexendo em tudo.
Eu tinha dois vizinhos: "Rose" e "Daniel". Eram irmãos e sempre saiam com seus violões a tiracolo. Um dia perguntei se eles faziam aula. Disseram que sim, e o melhor de tudo, era de graça.
Peguei o violão, passei no primeiro armazém e comprei um jogo novinho de cordas de aço "Sabiá". A Rose e o Daniel me levaram até o CECOPAM, um centro comunitário próximo de casa e me apresentaram ao Professor Paulo Mariano. Havia mais ou menos umas 15 pessoas sentadas na pequena sala afinando seus violões. O Professor Mariano então me disse: "Filho, para aprender a tocar violão, você deve praticar em casa pelo menos uma hora por dia. É cansativo, mas sem ensaio não adianta'.
Mariano dava uma folha com uma determinada música (três acordes no máximo), ensinava os acordes e as batidas e mandava treinar em casa. O resto era conosco. Passaram-se minutos, horas, dias... Quando completei um mês tendo aulas no centro comunitário, finalmente consegui tocar a minha primeira canção: "Debaixo dos caracóis do seus cabelos" do Roberto Carlos. Reuni uma pequena platéia (minha mãe, meu irmão e meu saudoso avô) para ouvirem essa "pérola". Claro que só toquei a música. Cantar já ficava complicado, pois tamanha era minha timidez...
TEMPOS MODERNOS
Porto Alegre, inverno de 2007. O ano já está na metade. Somente agora respiro fundo e decido criar um blog só meu, onde eu possa expressar meus momentos, escrever algo de improviso, contar alguma história...
Ter um blog nos dias de hoje é uma coisa absolutamente normal. "Viva a internet", "Viva a globalização". Mas eu sou do tempo que escrevíamos cartas, bilhetes... Isso que só tenho 27 anos!
Gosto muito de escrever. Muito mesmo. Cheguei até a cursar jornalismo. Pude aperfeiçoar minha fala, minha escrita e atualizar meus conhecimentos. Agora decidi pôr em prática um velho desejo: Escrever o que der na telha para quer quiser ler.
Portanto, estarei garimpando meu "baú de alfarrabicos", que mantenho há alguns anos e transcrevendo textos, contos, crônicas e músicas para o blog. "Sonho antigo", agora concretizado graças aos "Tempos Modernos".
Sejam bem vindos ao universo de Marcito da Viola.
Ter um blog nos dias de hoje é uma coisa absolutamente normal. "Viva a internet", "Viva a globalização". Mas eu sou do tempo que escrevíamos cartas, bilhetes... Isso que só tenho 27 anos!
Gosto muito de escrever. Muito mesmo. Cheguei até a cursar jornalismo. Pude aperfeiçoar minha fala, minha escrita e atualizar meus conhecimentos. Agora decidi pôr em prática um velho desejo: Escrever o que der na telha para quer quiser ler.
Portanto, estarei garimpando meu "baú de alfarrabicos", que mantenho há alguns anos e transcrevendo textos, contos, crônicas e músicas para o blog. "Sonho antigo", agora concretizado graças aos "Tempos Modernos".
Sejam bem vindos ao universo de Marcito da Viola.
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