sábado, 12 de setembro de 2009
PEDRA DO SEGREDO
Era final da manhã de um dia muito quente. Estávamos entre o dilema: “Vamos almoçar ou vamos até a Pedra do Segredo”. É claro que escolhemos a segunda opção. Estar em Caçapava do Sul e não ir até a Pedra do Segredo seria uma tremenda estupidez. Abdicamos de um almoço de beira de estrada para adentrar aquela estradinha de chão batido. Uma estradinha sem fim. Na esquina havia um botequinho onde estava um grupo de seletos senhores interioranos, saboreando uma cachaça de butiá. “É essa estrada que leva a Pedra do Segredo?” Perguntei. “É sim, mas é bom preparar as pernas, pois é um longo caminho”, me respondeu um dos senhores. Ao lado do bar, havia uma velha caminhoneta e em seu interior um rapaz de uns vinte e poucos anos que disse: “Eu levo vocês na pedra por quinze reais”. Topamos na hora. Ainda bem que topamos, pois a estradinha tinha mais de cinco quilômetros. O rapaz chamava-se Felisberto. Vivia de fretes e era especialista no assunto “Pedra do Segredo”. Morava no início da estrada e conhecia muito bem o trajeto. Já no início da “aventura”, Felisberto começou a contar histórias da tal gruta: “A pedra do segredo é amaldiçoada. Os jesuítas esconderam um tesouro lá. A gente não consegue entrar com velas lá dentro das grutas. As velas se apagam. Parece que não querem que a gente descubra o que tem lá dentro”. Logo nos aproximamos do local. Confesso que quando ficamos frente-a-frente com aquelas rochas, tremi as pernas. Eram duas pedras enormes com um formato inusitado. Pareciam duas cabeças de gorilas lado-a-lado. O lugar é muito misterioso. A energia é muito forte. Pelo pouco tempo que tínhamos, não pudemos entrar nas cavernas. Ficamos só admirando tal maravilha vista de fora. O Felisberto disse que existem três cavernas lá. A caverna da escuridão, O salão das estalactites e a caverna Percival Antunes. Perguntei quem fora Percival Antunes. Felisberto não soube me dizer, mas provavelmente tenha sido o descobridor do local. Depois de 30 minutos de contemplação, precisávamos retornar. Tínhamos que pegar a estrada rumo a Porto Alegre. Ai aconteceu o inusitado: a caminhoneta não pegava. Felisberto tentou várias vezes, mas a bateria morreu. Nesse instante começou a ventar muito no local. Olhamos para o alto e o céu escurecido denunciava um princípio de temporal. Um dia quente de final de primavera com um vento de outono. No mínimo estranho. Preocupei-me, pois a estrada era de chão batido e não havia nada ao redor. Segundo o nosso guia, ela terminava ali. Não havia nada adiante. Portanto tínhamos que retornar os cinco quilômetros que percorremos. O cenário era propício de um filme de suspense. Pessoas perdidas na mata rodeadas de montanhas gigantescas com formas assustadoras. Deu medo sim. Mas foi tudo muito rápido, graças a Deus. Num momento de “sorte”, Felisberto virou a chave a o motor voltou a funcionar. Na mesma hora entramos no veículo e seguimos em frente. Foi uma sensação bastante intrigante e desconfortável. Logo avistamos o botequinho da esquina. Pagamos o valor da corrida a Felisberto e para nossa surpresa, ao olharmos para o céu, ele estava limpinho. O verdadeiro “Céu de brigadeiro”. Felisberto perguntou a um dos senhores do bar: “E o temporal que estava vindo?”. O Velho senhor apenas disse: “Temporal? Este céu nunca esteve tão azul”. E voltou a saborear sua cachacinha de butiá. Fomos embora, sem nada entender. Mas podemos perceber que a Pedra do Segredo tem seus mistérios. Acredite se quiser!
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