Eu havia terminado o segundo grau. Tinha me tornado técnico em Edificações. Mas não era só isso que realmente eu queria. Queria estudar mais.
Fazia canto coral, trabalhava num 0800, mas faltava estudar. Me inscrevi num cursinho intensivo e mandei bala. Precisava achar um rumo para minha vida profissional. Meu gosto pelas letras e pela literatura me fez optar por algo nessa linha. Escolhi Jornalismo, pois misturava tudo o que eu gostava: Ler, escrever, contar, gravar, falar...
Depois de meses intensos de estudos (na real eu estudava só aquilo que me interessava: Português, literatura, espanhol, história e geografia), chegava a hora de fazer o vestibular.
Fiz a inscrição em duas Universidades: Feevale e Unisinos. Como era vestibular de inverno não fiz para a UFRGS, pois minha vontade de entrar na faculdade era maior.
Primeiro fiz Feevale. Na semana seguinte Unisinos. O fato de eu ter "comido" o conteúdo das materias que citei, me fez forte candidato. Mas o que me preocupava era as matérias que eu odiava (matemática, física e química). Não podia zerar nenhuma prova.
Quando saiu o resultado da Feevale, nem acreditei. Passei no meu primeiro vestibular. Meus pais trataram logo de fazer uma faixa enorme com meu nome escrito e abaixo o nome do curso: JORNALISMO. No dia da matrícula da Feevale, sairia o resultado da Unisinos, o que me fez aguardar o listão.
Quando li meu nome no jornal, não acreditei. Passei no meu segundo vestibular. Agora eu tinha duas opções: Feevale ou Unisinos? Por ter o melhor acesso (metrô) escolhi a Unisinos em são Leopoldo. A Feevale ficava em Novo Hamburgo (um pouco mais longe) e o acesso era somente por ônibus. Em matéria de preços, as duas se igualavam... Bastante caras!
Iniciei o curso imediatamente. Um universo diferente de tudo o que vi até então. A faculdade era fantástica, mas ao mesmo tempo melancólica. Aquela aproximação que temos na escola inexiste na universidade. Lá é cada um por si, Deus por todos. Todo mundo competindo para ver quem faz o melhor trabalho, quem apresenta a melhor tese, quem faz a melhor reportagem...
Me senti ilhado. Demorei para me acostumar.
Só no segundo semestre entendi o "X" da questão. Iniciei minhas aulas de Radiojornalismo. Me apaixonei pela cadeira. Primeiro vi toda a teoria do rádio (do Padre Landell de Moura até os dias de hoje) com a professora Patrícia Webber. Em radiojornalismo I fiz toda a parte prática com o professor Sérgio Endler. Locução e redação foram amor a primeira vista. Gravava programas de rádio, fazia laudas e tinha muito contato com a internet.
Foram anos de grande valia. Acabei me rendendo a Comunicação social.
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