Quando completamos um ano de casados, Ana Paula me deu a notícia: "Márcio, estou grávida"!
Um misto de felicidade, emoção e muito choro foi o que ocorreu naquele momento. O fato de saber que você será PAI é uma coisa fantástica, simplesmente inexplicável.
Lembro de tudo. Da primeira ecografia, dos primeiros batimentos cardíacos, dos primeiros pontapés...
Segue abaixo um texto que escrevi logo depois o nascimento:
“Quando entrar setembro, e a boa nova andar nos campos...”. A canção “Sol de primavera”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, expressa claramente o sentimento de um pai a espera do filho que está para nascer. Só troquei o mês. Ao invés de setembro, dezembro.Dezembro certamente foi o mês mais “nervoso” da gestação. Na primeira visita à médica, depois que soubemos da gravidez da Ana, nos foi previsto por ela que o bebê nasceria até o dia 28 de dezembro de 2003, visto que Ana havia engravidado em fins de março. Pois bem, iniciou-se a maratona dos nove meses.
Com cinco meses, fizemos uma ecografia e já soubemos o sexo. Era uma menina. A notícia chegou com grande entusiasmo. Adoramos a idéia de termos uma “guriazinha” só para nós. Aparentemente a mais eufórica nessa história foi à vovó paterna (pois sempre quis ter uma menina e só ganhou dois meninos).
Iniciamos a pesquisa de nomes. Sem pestanejar a Ana disse: - “O que tu achas de Ana Carolina?” - “Bonito, mas o que será que quer dizer?” Fomos ao dicionário de significados de nomes e verificamos que “Ana” quer dizer “graça” e “Carolina” traduz-se por “menina, mulher”. Na mosca! Ana Carolina (“Menina cheia de graça”).
Tudo correu bem. Até que no final dos sete meses (final de outubro, início de novembro), a Ana Carolina começa a dar seus sinais. A Drª Luiza (obstetra da Ana) disse que a Ana Carolina já estava querendo nascer. Estava bem apressada. Foram receitados remédios para acalmar a guria (é que ela é minha filha, sabe, nervosinha, apressadinha!).
Até que chegamos em dezembro. No dia três (um dia antes do meu aniversário), nasce a Clara (filha do Francis e da Clarissa. Uma belezinha!). Quando soube, fiquei com mais vontade de ver a minha menininha. No dia 6 de dezembro viajei com o coro para Gramado. Cantaríamos a tarde e voltaríamos à noite. A Ana começou a sentir as primeiras contrações. Confesso que viajei com o coração na mão, com um “pé atrás”, imaginando mil coisas: - “Será que a minha filha vai nascer e eu não vou estar presente?” Coisas de pai de primeira viagem. Achei que com as primeiras dores a criança já nascia. Não é tão rápido assim. Na verdade, me assustei com a possibilidade de um nascimento repentino. Antes do previsto. Então desmarquei toda a agenda de apresentações de dezembro com a Procergs. Passei a dedicar-me exclusivamente às meninas. Fiquei uma “pilha” de tão nervoso.
Começamos as visitas aos hospitais. Passamos pelo São Lucas da Puc, pelo Fêmina e finalmente pela Santa Casa. No São Lucas foram duas visitas. Eles examinaram e mandaram voltar para casa, pois as contrações eram médias. Alguns dias se passaram. Procuramos então o Hospital Fêmina (no dia 26 à noite). A examinaram e disseram para ficarmos atentos, pois poderia ser para qualquer momento. Até que o natal chegou. A Ana dançou a noite inteira, tentando ajudar a filha a tomar coragem e vir logo. Nada.
Passamos do dia previsto pela doutora (28) e nada da moçoila vir ao mundo. Confesso que comecei a me preocupar. E o pior de tudo é que as contrações haviam diminuído. A Ana praticamente nem sentia dor (Mas a Ana Carolina estava muito bem. Mexia-se bastante). No dia 30 fomos à Santa Casa. O médico que a atendeu disse que estava tudo pronto para a mocinha nascer, mas achava estranho que quase não havia dilatação. Disse então que daria uma ajudinha para a Aninha criar coragem. Apertou, massageou, examinou e disse então para a Ana caminhar. Fomos para a casa e ela começou a maratona. Nada.
Até que na madrugada do dia 30 para o dia 31 começaram dores fortíssimas. Então, na manhã do dia 31, às 7:00 hs, a bolsa rebentou. Corremos para o hospital. Pensamos em ir para a Santa Casa, mas a Ana optou pelo Fêmina. Chegamos às 7:30 hs. Ela foi internada exatamente às 9:00 hs. Iniciava o dia mais agoniante da minha vida. Só fui comer algo às 15:00 hs. Aquele mal estar acompanhou-me durante toda à tarde. Na tv estava passando a Corrida de São Silvestre. O ano estava acabando e nada da minha filha chegar! Que angústia... Já pensava com meus botões: - “Se até agora ela não nasceu, só virá no ano que vem!” Às 19:30 hs, minha mãe e eu resolvemos trocar de lugar, pois estávamos aguardando no mesmo sofá há exatas doze horas. Estávamos exaustos. Fomos para o lado oposto do saguão. O hospital estava vazio. O plantão havia trocado meia hora antes. Estávamos “abandonados”.
Às 20:15 hs, a recepcionista finalmente anuncia: - “Familiares de Ana Paula”.Corremos ao guichê e a moça informou o que queríamos finalmente ouvir. A Ana Carolina havia nascido às 19:39 (+ ou – o horário que trocamos de lugar. Coincidência ou não?), de parto normal e que as duas estavam ótimas. Poderíamos vê-las depois de vinte minutos. Euforia total. Comecei a ligar para todo mundo, anunciando a boa nova.
A Carol nasceu medindo 48 cm e pesando 3,165 kg. Na avaliação da equipe médica ela ganhou nota 8,9. Não por ser minha filha, mas ela é muito linda! Ainda de quebra a enfermeira deixou-me passar a meia-noite com elas no quarto. Sem dúvida este foi o Reveillon mais especial que tive. Pela janela do sexto andar avistávamos os fogos de artifício das imediações da Avenida Independência. E certamente eles não eram somente para comemorar o reveillon. Eram também para saudar o nascimento da Carol.
E como diz aquele velho ditado: “Não basta ser pai, tem que participar”. Feliz Ano Novo...
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