Acordei cambaleando às 8 hs da manhã direto para o banheiro (é que eu precisava fazer xixi!). Voltei para a cama e só levantei ao meio-dia. Almocei tranqüilamente e às 13:30 hs peguei o T4 direto para a PUC.
Ao chegar já pude perceber e ouvir gargalhadas que vinham de uma sala. Era, obviamente, o coro mais alegre do Brasil, o Coral da Procergs. Entrando no camarim que nos fora reservado, tive uma alegre surpresa ao ver a Adriana. Para quem não sabe, foi ela que me levou para fazer o teste na Procergs, ou seja, ela me pôs no mal caminho! Estava acompanhada de sua filha Giovana (aquela menininha que tocou a “flautinha” nas missões), que hoje está uma enorme mulher. A Adri registrou a apresentação em VHS.
Não deixamos de lembrar da palavra-chave da noite anterior: “MORS”. Na parte final de “Tuba Mirum”(do “Dies Irae”) o baixo solista, José Gallisa, entoa a palavra “MORS” (que quer dizer “morte” em latim) três vezes. Uma mais grotesca que a outra, como se realmente estivesse morrendo. Foi um momento marcante, talvez por isso tenha chamado a atenção de todos (fizemos até aquecimento com o “Mors”. Que horror!).
Ainda sobre os solistas, não poderia deixar de elogiar e citar aqui neste humilde texto o tenor Marcello Vannucci, a soprano Adriana de Almeida (mais tarde fiquei sabendo que ela é esposa do “Papa Gerling”. O Maestro tá com tudo!) e a mezzo soprano Regina Elena Mesquita (além do baixo “Zé”, já citado).
Nos posicionamos atrás do palco, nos demos as mãos e refizemos a oração do dia anterior. Fomos até o palco e ficamos exatamente nos lugares onde ensaiamos (Ufa! Desta vez não rolou “stress” com a tiazinha...). O salão de Atos não estava totalmente lotado, mas 70% dos lugares foram ocupados. O Maetro “papa Gerling” fez um sinal e a orquestra iniciou o “Requiem e Kyrie”.
Logo o momento (para mim) mais excitante e empolgante da noite “Dies Irae”. Ele fala no dia da ira, portanto é impactante a forma com que são tocados os instrumentos (principalmente o tímpano (o enorme tambor)). Neste momento tínhamos a impressão que o teatro desabaria sobre nossas cabeças. Foi forte mesmo!
Depois vieram “o “Tuba Mirum”, “Liber Scriptus”, “Quid Sum Miser” e o “Rex Tremendae” (em todos estes somos acompanhados pelos solistas). Logo chega a calmaria. O momento dos solos, ou seja, 20 minutos que ficamos parados sem poder sentar ou sequer tomar água.
As solistas (soprano e mezzo) fizeram o “Recordare”. O tenor cantou o “Ingemisco” e o baixo fechou com “Confutatis”. Eu, o Edemar, o Duda, o Léo e o Manuel nos esforçamos para não rir. Só lembro que quando chegou a hora do “MORS”. Coloquei a partitura no rosto para não enxergar ninguém. O Léo me disse depois que não podia olhar nenhum minuto para mim, pois tinha a certeza de que eu estaria rindo. Ah! Já ia me esquecendo. O Edemar tirou o sapato (É, ele coseguiu!). E o “Lênin” que estava em nossa frente deve ter sentido algum cheiro estranho e começou a olhar prá baixo, examinando pé por pé. O Edemar escondeu o sapato embaixo da batina preta e me perguntou baixinho: -“ Será que ele sentiu algum cheiro?” Não me contive. Usei a tática da partitura novamente e tapei minha cara.
Afora os imprevistos, depois do “Confutatis” voltamos a cantar “Lacrymosa” com todos os solistas. Na hora do “Offertorio”, mais alguns minutos parados. Só os solistas em ação. Voltamos com “Sanctus” (que é bábaro!) e passamos para “Agnus dei” com as solistas (soprano e mezzo).
Depois foi a vez de “Lux Aeterna” (com solistas: mezzo, tenor e baixo) e finalmente nos encaminhamos para o final triunfante. Sem pestanejar digo que o grande desafio foi o final, o famoso “Libera Me”. Saiu bem, por incrível que pareça! (diferente da noite anterior!). Terminava ali mais uma memorável apresentação. Foram meses de estudos e ensaios (às vezes até bem desgastantes). Um projeto que envolveu centenas de pessoas (cantores, instrumentistas, técnicos, organizadores...). Os aplausos ecoaram pelo Salão de Atos da PUC como uma benção divina. Deixamos o palco e fomos para o camarim festejar.
Fizemos um círculo onde dançamos e cantamos (ainda fantasiados de padres medievais). As meninas colocaram o babador branco na cabeça e cantaram “Lacrymosa” (parecia uma greve de empregadas domésticas). Fim de festa. Peguei carona com o Léo e a Loren e fui pra casinha (afinal, até Deus descansou no sétimo dia!).
E que Verdi também descanse em paz... “Requiem aeternam dona eis. Domine et lux perpetua luceat eis”. Amen PS – Afinal, era para devolver as partituras? Se era, só lamento. A minha eu não devolvo nem que a vaca tussa!
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