Este texto é de 2001 e foi escrito para a disciplina de entrevista e reportagem quando eu cursava jonalismo na Unisinos. Fala sobre um workshop que o músico Hermeto Pascoal oefereceu em Porto Alegre. vale a pena lembrar. Segue a íntegra:
Nesta sexta-feira, dia 14 de setembro de 2001, o músico alagoano Hermeto Pascoal presenteou os porto-alegrenses com uma oficina de música gratuita.
O Teatro Renascença ficou lotado para ouvir os sons e as estórias que o "Mago da Música" tinha pra contar. Brincalhão e muito simpático, já na fila de entrada do teatro, Hermeto aproximou-se do público e perguntou:
-"Esta fila é para ver a Xuxa"?
Gargalhada geral. Ali, o gênio mostrou-se simples e muito bem humorado.
A apresentação começou descontraída. O músico multinstrumentista trouxe uma bolsa que chamou de "a sacola de bugigangas", de onde tirou vários objetos estranhos. O primeiro foi uma pequena chaleira, de onde inacreditavelmente Hermeto soprou e fez um som de trumpete. Homenageou o amigo Miles Davis e depois de tocar um breve tema na chaleira, disse o seguinte:
-"Albino Crazy"! Era assim que o Miles me chamava.
Pascoal contou como começou a fazer música:
-"Meu avô era ferreiro. Jogava os restos de ferro fora e eu os pegava. Tirava sons lindos, mas minha mãe achava que eu estava ficando maluco, mas com o tempo ela até chorou me ouvindo tocar. Eu tinha mais ou menos oito anos".
Logo demonstrou sons feitos com a camisa, com a buchecha e com a barba. Quando um celular tocou na platéia, atrapalhando a palestra, o músico largou o microfone e correu para o piano que lá estava. reproduziu o som do celular e tocou durante uns dois minutos. As pessoas assistiam deslumbradas o poder de captação e audição aguçada que o velho senhor de sessenta e poucos anos mostrava. Ao término da apresentação improvisada, Hermeto foi aplaudido de pé e logo pegou o microfone dizendo visivelmente emocionado:
-"Isso tinha que acontecer. Isso é música"...
Da sacola de bugigangas ele tirou uns brinquedinhos de borracha, daqueles para bebês. Com eles fez um belo maracatú. Homenageou um amigo gaúcho, o também músico Renato Borghetti, tocando na sanfona a música "Tomando um chimarrão" que compôs para Borghettinho.
Respondeu algumas perguntas e logo convidou a platéia para improvisar com ele no palco. Vieram flautistas, pianistas, violonistas e percussionistas.
O alagoano deu um show juntamente com os convidados de última hora e preferiu não se despedir formalmente. Saiu de cena tocando "Lagoa da Canoa" e dizendo que em breve retornaria à capital.
O bruxo passou pela cidade, mas sua magia ficou.
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