sábado, 12 de setembro de 2009

HARD WORKING BAND




Sessão “Vamos matar a saudade”... Segue mais um texto escrito em 2002 quando fiz um teste para cantar na “Hard Working Band” (Banda de soul music que teve seu auge lá pelos anos de 2000/2001 em Porto Alegre). Segue a íntegra: O CONVITE Era final de agosto de 2002. Estava em casa, sozinho, curtindo meus últimos e merecidos dias de férias. Até que no meio da tarde o telefone toca:
-“Alô, eu poderia falar com o Márcio”?
Era o Duda, ou para quem preferir Eduardo da Rosa Alves, grande amigo e colega tenor coro da Procergs.
Conversamos durante alguns minutos, mas senti que o Duda queria me dizer algo. Até que entramos no assunto “música”. O Duda comentou sobre um show que o “Vocal 5” (grupo musical A capella do qual participa) pretendia fazer com a Andréia Cavalheiro e a Letícia Oliveira da Banda de soul music “Hard Working”: -“Sabe aquele show que eu te falei? Pois é, ele foi cancelado. Parece que houve alguns problemas com a banda. Lamentamos o fato. Éque eu ficava enchendo o saco do Eduardo, perguntando sempre sobre esse show. Queria assisti-lo. O Duda então criou coragem e falou: -“Tenho uma coisa pra te falar. É que os guris (Jonatas Prates e Nelson Ebelt) vão deixar a banda”... (...) Silêncio no ar. Naquele momento fiquei muito triste, pois estava vendo uma de minhas bandas preferidas se dissolver. Os dois vocalistas resolveram pedir licença e se retirar definitivamente. -“Calma! Eu não te contei o resto. Sabe quem foi convidado para fazer teste para entrar como vocal na banda? Eu”. Novamente fiquei perplexo. Até cair a ficha lá se foram 5 segundos. O Duda poderia entrar para a “Hard Working”. Que maravilha. Já fiquei todo orgulhoso. Se fosse chamado estariam fazendo uma escolha e tanto. Fiquei muito feliz. Mas ele interrompeu minha euforia e disparou logo: -“Márcio, eu não aceitei”! Pela terceira vez, me surpreendi. Ele me explicou que não conseguiria se dedicar a mais um compromisso (ele canta oficialmente em três grupos, pelo menos é o que tenho conhecimento). Mas nem todas as bombas foram lançadas: -“As gurias então me pediram para eu indicar alguém, então eu te indiquei”! Por instantes não entendi a situação. Pedi para ele repetir. O Duda havia me indicado a fazer um teste para entrar para a banda. Puxa vida, que presente. Cantar Na minha banda de soul music preferida.
Passou-me o telefone celular da Andréia para eu marcar o teste. Logo depois de desligar, liguei imediatamente para ela. Eu estava muito nervoso. Ela atendeu com sua voz suave. Me identifiquei como amigo do Duda, ai ficou tudo em casa. Ela foi muito gentil e passou as primeiras coordenadas. Pediu para eu passar na produtora e pegar um cd com as músicas do teste e as letras. Eram ao todo quatro temas: Duas em inglês (Soul Man e My Girl) e duas em português (Todo o meu canto e Mandei cancelar). Tive exatamente uma semana para ensaiá-las. Estava tão apreensivo que não consegui dormir direito já no dia da notícia. Bem, a sorte foi lançada. O TESTE Comecei a sofrer com uma semana de antecedência. Na madrugada de terça para quarta (03 para 04 de setembro), não preguei o olho. Trabalhei o dia inteiro com aquele frio na barriga. Confesso que pensei em desistir, mas logo tirei essa idéia da cabeça. Caia à tarde. Eu tive que passar em casa para pegar o CD e as letras. Fiz aquecimento vocal e tomei muita água.
Já na Marcílio Dias, eu respirava fundo. Cheguei ao estúdio Nazari um pouco adiantado. Toquei a campainha. A menina baixinha atendeu: -“Oi! Eu tenho horário marcado com o pessoal da “Hard Working”! -“Ah, claro! Pode entrar. O Carlos já está ai”. Realmente o Carlos Mallmann (trombonista) já esperava olhando pro relógio. Percebi sua pontualidade. -“Oi, tudo bem! Eu sou o Márcio. Vim fazer o teste com vocês”. -“Legal cara, senta ai que o pessoal deve estar chegando. Bah cara, tu é figurinha carimbada nos shows, eu me lembro de ti”. Claro, eu ia a todos os shows da banda. Batemos um papo na ante-sala enquanto a “Black Master” ensaiava no estúdio. O Mallmann contava que os caras (Jonatas e Nélson) estavam saindo da banda na boa.
O pessoal chegava aos poucos. Até que se reuniram a portas fechadas no estúdio. Eu estava bastante apreensivo, andando de um lado para outro. A Letícia veio me chamar; -“Oi! Tu és o Márcio, né? Entra e fica a vontade. Os guris estão terminando de afinar os instrumentos.
Com exceção do Anginho do Trumpete e do Deco Oldmann que chegaram atrasados, a banda estava reunida. Somente os ex-integrantes não compareceram (obviamente). A Andréa pediu para eu testar o microfone:
-“Tá bom? Ta grave demais? Se não tiver bom, dá um toque. Quem comanda este ensaio é você, portanto faça o que quiser”! Antes de começar, falei que tive dificuldades com a tonalidade de Soul Man. Então eles disseram que poderiam abaixar meio tom. Decidi encarar assim mesmo, em mi maior. Começamos com “My Girl”, a minha preferida. Não precisei decorar a letra, pois canto essa canção desde os meus quinze anos, quando aprendi as primeiras noções de violão. E, além disso, sou fã dos “Tempatations”.
A segunda foi “Todo o meu canto” e a terceira “Mandei cancelar”. Por serem letras em português, não tive problemas em cantá-las. Gosto e entendo inglês, porém prefiro cantar em português. Sou filho da “Bossa” com o “Samba”. A quarta e última música foi à temida “Soul man”.
Confesso que foi a pior interpretação. Por ser uma música bastante forte e por eu já estar “grilado” com o tom, o desempenho foi ruim. Cheio de altos e baixos. Todos me olhavam para ver se estava tudo bem. Me deixaram super a vontade. Foram fora de série.
Depois do teste vocal fizeram uma mini entrevista. Primeiro apresentei-me. Dei minha ficha completa. E todos ali, me olhando, me analisando. Uma seriedade desconfortável. E no final do discurso disse que sendo ou não escolhido, o importante foi ter participado e de ter ganhado um “ensaio com minha banda preferida”. Todos riram e disseram que foi um prazer.
Ao findar agradeci a todos pela paciência. Letícia me conduziu até a porta, onde cruzei com o próximo candidato. Era outra figurinha carimbada nos shows da banda, o Maurício.
Maurício foi o escolhido, com todo o mérito, pois cantava e interpretava com a alma. Mas a permanência dele durou apenas um ano, pois a banda resolveu acabar de vez, lamentavelmente. Cada um seguiu seu caminho. Andréia faz jingles publicitários, faz backing vocals esporádicos para a Ultramen e tem uma Banda chamada “Dea’s Gang”.
Já a Letícia foi morar em São Paulo. Participou do programa do Raul Gil como caloura e ainda foi integrante do programa “Fama” da Globo. O restante do pessoal foi seguindo caminhos diferentes.
Não tenho queixas ou reclamações sobre aquele dia. Foi fantástico para mim. Uma grande honra e sem dúvida um grande aprendizado. Sai de lá com a sensação de dever cumprido. Tomei meu rumo em direção á Avenida Praia de Belas satisfeito pelo presente que recebi do Duda. O mais importante para mim naquela noite de setembro foi ter ensaiado com eles, uma banda memorável e inesquecível. Com certeza sou um fã realizado.

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