Tudo começou em um dia normal de ensaio do Coral da Procergs. Até que o Manuel nos deu a notícia de um convite inusitado. Cantar a “Missa do Requiem” de Giuseppe Verdi. Seriam duas apresentações. A primeira no dia 23 de outubro (sábado) na Catedral Metropolitana e a segunda dia 24 (domingo) no Salão de Atos da PUC. Cantaríamos junto com a orquestra e o coral da PUC e também com o coral “Bocalis” de Gramado e coral da “UFSM” de Santa Maria. O evento faria parte dos Concertos Comunitários Zaffari, e nós teríamos que nos esforçar, pois o cachê seria dos bons.
Foram meses de estudos, audições, ensaios exclusivos e muita perseverança. Em um final de semana nos reunimos na casa da Mamma Glória e da Dinda Enoé para assistirmos o DVD do Requiem. Naquele dia tive o primeiro contato e pude perceber a dimensão do espetáculo. Certamente não seria fácil. Paralelamente aos ensaios do coro, o Manuel distribuiu-nos cds com os “midis” de cada voz (De tanto ouví-los posso dizer que absorvi tudo por “osmose”).
Para contar a saga destes ensaios que envolveram centenas de pessoas (contando cantores, instrumentistas e produção) precisamos entender a história do evento na qual participaríamos.
Requiem é uma missa totalmente composta em latim no século XIX pelo maestro italiano Giuseppe Verdi em homenagem ao aniversário de morte de outro maestro, Rossini. Ele é dividido da seguinte maneira:
I. REQUIEM e KYRIE; II. DIES IRAE (Dies Irae, Tuba Mirum, Liber Scriptus, Quid sum miser, Rex Tremendae, Recordare, Ingemisco, Confutatis e Lacrymosa); III. OFFERTORIO IV. SANCTUS V. AGNUS DEI VI. LUX AETERNA VII. LIBERA ME É sem dúvida uma obra prima da música sacra e nós tivemos o prazer de fazer parte de um pedacinho dessa história (sentiram a humildade!). Marcaram então o nosso primeiro ensaio coletivo para um determinado dia de setembro (e que acabou não acontecendo!). Fora transferido para o dia 12 de outubro (isso mesmo, feriado do dia da criança...) às 9:00 hs da manhã. O Coral da Procergs foi o primeiro a chegar naquele dia. Estranhamos o fato de não haver ninguém de outro coro. Até que uma senhora do coral da PUC chegou (10:00 hs) e disse que o ensaio havia sido marcado para às 10:30hs (Isso só acontece conosco!). De uma certa forma, todos chegaram cedinho e dispostos a ensaiar. A medida que os outros chegavam, nos organizávamos para tomar café da manhã, ali mesmo, nos bastidores do Salão de Atos da PUC.
O Maestro Frederico Gerling Júnior (que, aliás, parecia-se muito com o Papa João Paulo II) chegou bem humorado e improvisou exercícios de aquecimento vocal. Tinha um cantor que era a cara do “Max Fivelinha” da MTV. Aliás, havia muitas personalidades cantando conosco (No decorrer dos textos vocês saberão!).
O Papa Fred Gerling, pediu que iniciássemos desde a primeira parte do “Requiem e Kyrie”. Passamos toda a missa. Do “Requiem” ao “Libera me”. Só então às 12:30 hs fomos “liberados” para o almoço. E que almoço! Tiramos a barriga da miséria no R.U. da PUC. Com direito a refrigerante e sobremesa (Tudo de grátis!). Mais uma vez o Coral “Fat Family” atacou. Em uma hora e meia todos estavam visivelmente “satisfeitos” com a comilança geral.
Cantamos “Gaudêncio 7 Luas” (ali mesmo no R.U.). Depois o grupo “Bocalis” de Gramado puxou outra canção. Aliás, Edemar e eu fizemos amizade com os tenores de Gramado. Um deles era o próprio “Lênin” (líder revolucionário soviético).
Retornamos ao palco e o “Papa Fred” organizou a orquestra. Depois de afinar os instrumentos, retomamos novamente o ensaio desde a primeira página. A função continuou durante a toda à tarde. Tive que sair mais cedo, pois minha filha também merece um dia de princesa.
Cinco dias depois (17 de outubro/domingo à tarde) reunimo-nos novamente para o segundo ensaio. Posicionamento, avisos e acertos de figurino. A notícia mais impactante foi que cantaríamos todo o Requiem de pé. Sem direito a um descanso sequer. Passamos toda a missa, de cabo a rabo.
Dia 22 de outubro (sexta à noite). Nossa empreitada começava a se encaminhar para o final. Às 19:30hs (Já posicionados/ coro e orquestra) demos início ao último ensaio geral. Aquele pra botar pra fora todo o “stress” interior. Lavar a alma. Pois esse é sem dúvida uma dos momentos mais importantes antes de quaisquer apresentações. Foi um belo ensaio. Parecia que já estávamos cantando para o público. Não teve como não se arrepiar com essa obra que Verdi tivera a divina inspiração para escrever.
Toda a magia e o encanto das duas apresentações que pararam Porto Alegre (Sentiram a força do espetáculo!) você saberá através dos textos seguintes. Divirtam-se...
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