
No dia 12 de fevereiro de 2004, no auge do verão, um calorão infernal fomos assistir (Meu amigo Leonardo Assis Nunes e eu) ao show de Leandro Braga & Dona Ivone Lara no Salão de Atos da UFRGS (Nesta foto, na primeira fila, lá estamos eu e o Léo).Era o projeto Unimúsica 2004 - Série piano e voz
Foi um belo show!
Abaixo o texto escrito pelo genial Zuza Homem de Mello:
por Zuza Homem de Mello
A ligação entre a compositora e cantora Dona Ivone Lara (1922 - ) e o pianista e arranjador Leandro Braga (1942 - ) se consolidou em 2002 com a gravação do CD A música de Dona Ivone Lara, que mostrou a exuberância de suas composições, algumas delas sobejamente conhecidas no mundo do samba, outras nem tanto, mas cada qual oferecendo um campo para as fascinantes explorações que Leandro teve a seu dispor.
Assim armado, Leandro “deitou e rolou”, ao exercer sua criatividade com a delicadeza e a competência que já se conhecia, atingindo com esse soberbo disco sobre a obra da compositora o que pode ser visto como um casamento olímpico, destinado a alcançar bodas de pedras preciosas e metais nobres à medida que passem os anos. Esse enlace de primeira grandeza na música brasileira é o programa desta noite no Projeto Unimúsica – série piano e voz da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A facilidade com que a internacional Dona Ivone Lara cria melodias pôde ser medida desde o início do partido alto Tié Tié, uma das primeiras que compôs, antes de se tornar componente da ala da Escola Império Serrano, depois de pertencer à extinta Prazer da Serrinha. Nos anos 70 é que suas composições começaram a despontar, atingindo popularidade nacional em 1978 com a gravação de Sonho meu (por Maria Bethânia e Gal Costa) em parceira com Delcio Carvalho, ainda que no ano anterior a dupla já tivesse alcançado sucesso com Liberdade. Daí em diante foi um verdadeiro desfile de sambas com sua marca de melodias de primeira grandeza, Alguém me avisou, Acreditar, Nasci para cantar e sonhar, Mas quem disse que eu te esqueço e outros mais. Dona Ivone tornou-se uma dama, uma majestosa dama do samba, uma querida senhora que sabe guiar a música pelos mais lindos caminhos.
O paulista de São José dos Campos Leandro Braga, um dos mais requisitados e bem vistos arranjadores brasileiros, se consagrou de vez como pianista no seu segundo disco próprio, Pé na cozinha, de 1998, ganhando o prêmio Sharp do ano. Participou com sucesso do Free Jazz Festival no ano seguinte e prosseguiu numa trajetória repleta de triunfos em todas as incursões: escreveu trilhas para cinema e arranjos para peças musicais e inúmeros discos, foi diretor muscial de Ney Matogrosso e prossegue numa das mais brilhantes carreiras nessa área em que poucos são de fato reconhecidos. Quando deixa a caneta de lado, Leandro braga simplesmente estraçalha o piano; isto quer dizer em gíria musical arrebenta; e isto que dizer, ainda em gíria musical, deixa o ouvinte boquiaberto e sem fôlego.
Enquanto Dona Ivone Lara é formada em enfermagem (tendo exercido a profissão enquanto as atividades artísticas permitiam), Leandro é formado em medicina. Ambos teriam portanto uma vasta área de ação em comum fora da música. Mas é nela que ambos se encontram com o encantamento da arte, brindando a vocês com os sons que vão ouvir hoje.
Há música no ar.
por Zuza Homem de Mello
A ligação entre a compositora e cantora Dona Ivone Lara (1922 - ) e o pianista e arranjador Leandro Braga (1942 - ) se consolidou em 2002 com a gravação do CD A música de Dona Ivone Lara, que mostrou a exuberância de suas composições, algumas delas sobejamente conhecidas no mundo do samba, outras nem tanto, mas cada qual oferecendo um campo para as fascinantes explorações que Leandro teve a seu dispor.
Assim armado, Leandro “deitou e rolou”, ao exercer sua criatividade com a delicadeza e a competência que já se conhecia, atingindo com esse soberbo disco sobre a obra da compositora o que pode ser visto como um casamento olímpico, destinado a alcançar bodas de pedras preciosas e metais nobres à medida que passem os anos. Esse enlace de primeira grandeza na música brasileira é o programa desta noite no Projeto Unimúsica – série piano e voz da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A facilidade com que a internacional Dona Ivone Lara cria melodias pôde ser medida desde o início do partido alto Tié Tié, uma das primeiras que compôs, antes de se tornar componente da ala da Escola Império Serrano, depois de pertencer à extinta Prazer da Serrinha. Nos anos 70 é que suas composições começaram a despontar, atingindo popularidade nacional em 1978 com a gravação de Sonho meu (por Maria Bethânia e Gal Costa) em parceira com Delcio Carvalho, ainda que no ano anterior a dupla já tivesse alcançado sucesso com Liberdade. Daí em diante foi um verdadeiro desfile de sambas com sua marca de melodias de primeira grandeza, Alguém me avisou, Acreditar, Nasci para cantar e sonhar, Mas quem disse que eu te esqueço e outros mais. Dona Ivone tornou-se uma dama, uma majestosa dama do samba, uma querida senhora que sabe guiar a música pelos mais lindos caminhos.
O paulista de São José dos Campos Leandro Braga, um dos mais requisitados e bem vistos arranjadores brasileiros, se consagrou de vez como pianista no seu segundo disco próprio, Pé na cozinha, de 1998, ganhando o prêmio Sharp do ano. Participou com sucesso do Free Jazz Festival no ano seguinte e prosseguiu numa trajetória repleta de triunfos em todas as incursões: escreveu trilhas para cinema e arranjos para peças musicais e inúmeros discos, foi diretor muscial de Ney Matogrosso e prossegue numa das mais brilhantes carreiras nessa área em que poucos são de fato reconhecidos. Quando deixa a caneta de lado, Leandro braga simplesmente estraçalha o piano; isto quer dizer em gíria musical arrebenta; e isto que dizer, ainda em gíria musical, deixa o ouvinte boquiaberto e sem fôlego.
Enquanto Dona Ivone Lara é formada em enfermagem (tendo exercido a profissão enquanto as atividades artísticas permitiam), Leandro é formado em medicina. Ambos teriam portanto uma vasta área de ação em comum fora da música. Mas é nela que ambos se encontram com o encantamento da arte, brindando a vocês com os sons que vão ouvir hoje.
Há música no ar.
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